Telefônica culpa roteador em Sorocaba e pede laudo para CpQD
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O presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, afirmou que uma falha em um roteador da rede MPLS, localizado na central telefônica de Sorocaba, interior de São Paulo, foi o responsável por deixar boa parte do estado de São Paulo sem internet entre quarta-feira (02/07/08) e quinta-feira (03/07/08).
O executivo revelou, contudo, que a empresa ainda não determinou exatamente quais foram os motivos que causaram a falha no aparelho e no sistema de redundância da rede. "Temos que identificar o problema e por que os sistemas de níveis superiores da rede também não funcionaram", declarou o presidente da Telefônica.
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A empresa solicitou ao CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em
Telecomunicações) um laudo técnico do roteador que apresentou o
problema. Segundo Valente, o equipamento está isolado e todo o processo
de recolhimento de dados foi realizado por técnicos do CPqD e
acompanhado por funcionários da Anatel. O resultado final está
prometido para, no máximo, daqui dez dias corridos.
Segundo Vladimir Barbiere, vice-presidente do segmento de empresas
da Telefônica, a rede MPLS da operadora de telefonia conta com 7 mil
clientes, sendo 6,5 mil empresas e 500 órgãos públicos. Segundo ele,
metade dos 36 mil circuitos da rede foi afetada pelos problemas no
roteador, o que teria atingido 3,5 mil clientes.
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A empresa tem 900 grandes clientes, mas nem todos foram atingidos,
porque em alguns casos o usuário é atendido pela rede MPLS e pela rede
frame relay.
Para identificar a razão da pane, a Telefônica afirma que investigou partes da rede na cidade São Paulo, na região de Campinas, São José dos Campos até descobrir a origem do incidente em Sorocaba. "Cada etapa exige tempo para ser cumprida. Dividimos a rede em segmentos para isolar o trecho com a falha e reestabelecer a estabilidade da rede", explicou o presidente da Telefônica.
O executivo se negou a revelar o nome do fornecedor do equipamento que causou o problema. “Neste momento, a responsabilidade é completamente da Telefônica”, afirmou. A Cisco já mandou nota oficial negando que seja da empresa um dos seus aparelhos o responsável pela queda.
Ao ser questionado pela possível multa da Anatel, que pode atingir até 50 milhões de reais, Valente não acredita na punição máxima. O executivo também minimizou as suspeitas do incidente ter sido causado por sabotagem interna por conta de demissões recentes, dizendo que “não há nenhum elemento que indique que houve intenção de causar o problema, mas não podemos descartar nada”.
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De acordo com Valente, o problema no roteador pode ter sido causado
por falha humana, durante a inserção de códigos de atualização, por
exemplo. "Muitas vezes existem erros de inserção de software ou de
parte de software. São fatos relativamente corriqueiros".
Falha começou na manhã de quarta
Os primeiros sinais de instabilidade na rede surgiram às 11h de quarta-feira (02/07) e às 20:30 de quinta-feira (03/07) a empresa identificou o trecho da rede que apresentava problemas. O serviço foi normalizado às 23h de quinta-feira, mas ao longo desta sexta-feira (04/07) ainda havia instabilidades em alguns pontos.
Segundo levantamento da empresa, até as 17h de sexta-feira, entre 1.600 delegacias, quatro ainda estavam com problemas; e seis de 560 unidades do Tribunal de Justiça de São Paulo apresentavam dificuldades de conexão. CET, agências do Poupatempo, unidades da secretaria de saúde, subprefeituras e hospitais estavam normalizados, informou a Telefônica.


