Análise: Google mobiliza setor de telefonia para criar novo paradigma móvel
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É também uma iniciativa inspiradora - ou aterrorizante, dependendo da perspectiva do leitor - perceber os recursos de engenharia e negócios que o Google poe dispor e do poder que o buscador tem para influenciar, rearranjar e mudar o destino de mercado.
O Google fez isto originalmente no mercado de sistemas de buscas, quando descobrir informações online era uma experiência altamente frustrante.
Pelo caminho, o buscador encontrou uma maneira de gerar receita com propaganda, criando um império. Agora, ele usa seu poder financeiro para marchar em novos mercados e, mesmo que não tenha sucesso, negociar com empresas já ativas no setor.
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Em 2004, o Gmail chocou o equilibrado setor de serviços online de e-mail, sem inovação nas mãos de empresas como Microsoft e Yahoo, forçando as empresas a se mexerem novamente para combater o armazenamento de 1 GB oferecido pelo buscador.
Da mesma forma, o Google entrou (com diferentes níveis de sucesso) em outros setores que não originalmente os seus, como mensageiros instantâneos, gerenciamento de fotos, rádio, propaganda em TV e jornal, busca corporativa, análise online e aplicativos hospedados online.
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Agora, o Google se foca no mercado móvel, no qual havia sido até agora um estranho com, na melhor das hipóteses, papel secundário.
É extremamente ambicioso da parte do Google marchar em um mercado para tentar mudar regras básicas e já totalmente assimiladas em um mercado notório pela competitividade regida por grandes empresas já estabelecidas há anos que querem intensamente proteger seus próprios interesses.
"O que temos aqui é o Google tentando avançar com todo o mercado de telefonia móvel por sua aliança", afirma o analista Greg Sterling da consultoria Sterling Market Intelligence.
O Google anunciou uma plataforma de desenvolvimento gratuita e aberta chamada Android para aparelhos móveis com a intenção de eclipsar os sistemas operacionais móveis já existentes da Microsoft, Symbian, Palm e outros.
Como é típico do Google, a jogada foi pensada com a precisão de um estrategista de xadrez.
"É significante que eles não tenham construído realmente um telefone", afirmou o analista do Gartner Ken Dulaney se referindo aos rumores sobre um suposto GPhone. Tal jogada teria despertado a fúria de muitos parceiros em potencial. "Teria sido um desastre".
O Android terá um conjunto completo de componentes, incluindo um sistema operacional baseado em Linux, middleware, interface customizável e aplicativos.
O Google espera que, com o Android, desenvolvedores inundarão o mercado móvel com novos aplicativos e serviços online que podem ser escritos uma vez e integrados em diversos telefone, algo que, como o buscador entender, a atual fragmentação técnica previne.
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O objetivo: melhorar radicalmente a criação, entrega e provisão de serviços e aplicativos online, na esperança de que, ao encontrar uma experiência mais satisfatória, o uso de internet móvel pelos consumidores explodirá, junto com a receita de publicidade móvel.
Muitas questões, porém, se mantêm sem resposta sobre o Android e a certeza de que a plataforma cumprirá totalmente seu objetivo é algo ainda longe da realidade, mas a movimentação do Google deverá ter efeitos significantes na maneira como operadoras, fabricantes e desenvolvedores móveis fazem seus negócios.
"O que torna isto real e poderoso é a credibilidade de todos os parceiros que eles juntaram", explica Sterling. "Isto significa que o projeto teve um início muito poderoso para que dê certo".
O grupo Open Handset Alliance, liderado pelo Google, está sendo lançado com 33 parceiros, incluindo T-Mobile, HTC, Qualcomm, Motorola, Broadcom, eBay, China Mobile, Intel, LG Electronics, NTT DoCoMo, Nvidia, Samsung, Sprint Nextel, Telecom Italia, Telefonica, Texas Instruments e Wind River.
Evidentemente, a vitória está ainda longe de ser uma realidade.
Para começo, nem todos estão na aliança. Apple, Nokia, AT&T e Verizon são faltas notáveis na lista de parceiros e, por mais que a idéia brilhe teoricamente, ainda faltam detalhes técnicos que ainda não foram revelados.
"Teremos uma pequena espera até que vejamos como a plataforma será na próxima semana", antecipa Van Baker, analista do Gartner. "Estamos operando no escuro. Existem muitas boas intenções, mas é necessário ainda mostrar o que realmente eles querem entregar ao mercado".
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O Google promete oferecer mais detalhes na próxima semana quando lançar o kit de desenvolvimento de software do Android, que estará disponível gratuitamente por uma licença Apache V2.
Baker está particularmente interessada no browser do Android, que o Google descreveu como repleto de funções e baseado em HTML, o que replicaria no telefone a mesma experiência online da web.
Esta é uma alegação impactante e, caso o navegador tenha funções desta maneira, o efeito do Android no mercado será mais significante ainda, já que a única opção que se aproximaria desta abordagem hoje no setor seria o Safari, disponível apenas no iPhone, da Apple, diz Baker.
"Confesso estar um tanto cética (quanto à descrição do navegador), mas, caso eles entregue, isto, pode ser algo bastante atrativo", acredita.
Outra possível armadilha para o Android é a liberdade da licença de código aberto, que dá a desenvolvedores, fabricantes e operadoras total possibilidade para integrar extensões proprietárias e modificações, que poderiam resultar na piora do problema que o Google está tentando combater: a fragmentação técnica.
"Isto poderia levar a uma fragmentação ainda maior no mercado já que a licença permite que qualquer empresa use pedaços (do código) que quiserem e ignorem as outras partes", explica Baker.
Se o Android terá ou não seu efeito desejado será algo que se tornará claro uma vez que telefones e aplicativos construídos com a plataforma comecem a aparecer na segunda metade de 2008. Na ocasião, assinaturas de telefonia móvel serão os votos mais importantes neste concurso.
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Certamente, a falta de suporte das operadoras AT&T e Verizon é notável, se não surpreendente, explica ela. Grandes operadoras como ambas estão confortáveis com o controle significante que exercem sobre aplicativos e serviços disponíveis para seus clientes.
Sterling compartilha um ponto de vista semelhante. "O Android representa um caminho no mercado móvei para muitas empresas que não sabem por onde entrar. Isto quer dizer um atalho contra o jardim murado das operadoras norte-americanas".
A Apple, que sempre foi uma aliada tradicional do Google, não está entusiasmada com o Android, o que poderia facilitar para que rivais equiparem, ou ao menos se aproximem, das inovações do iPhone.
Por fim, o que move o Google neste investimento no setor de telefonia móvel é obviamente sua plataforma de publicidade AdSense, que a empresa admite querer levar para o mercado móvel.
Ainda um mercado incipiente, a propaganda móvel deverá ter tamanho significativo nos próximos anos. De acordo com a Opus Research, anúncios móveis deverão movimentar cerca de 5 bilhões de dólares até 2012 na América do Norte e Europa, cerca de cinqüenta vezes mais que os 106,8 milhões de dólares estimados para o final deste ano - a taxa anual de crescimento médio seria de espantosos 116%.
A consultoria afirmou que a melhoria na experiência do usuário móvel ajudará a aumentar gradativamente o tempo passado por usuários na internet por seus telefone, o que alimentará a explosão da receita no setor.
Independente do que aconteça, a entrada do Google no mercado móvel é um desenvolvimento bem-vindo, afirma Dulaney.
"Precisamos que empresas poderosas da internet 'cabeada' entrem no setor móvel para quebrarem o rígido controle que operadoras têm sobre conteúdo", prevê. "Até agora, operadoras têm controlado todo o conteúdo de maneira bastante ruim. A inovação foi esquecida".


