Anatel vai questionar empresas sobre acordo entre Telefônica e Telecom Italia

Tais Fuoco, editora do Computerworld
30 de abril - 11h58 - Atualizada em 15 de março - 14h59
São Paulo - Para analista, desenrolar depende da interpretação dos órgãos reguladores, como o Cade e a própria agência de telecomunicações.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou nesta segunda-feira (30/04) que vai questionar a Telefônica e a Telecom Itália sobre a operação, anunciada na noite de sábado, na qual a Telefônica e um consórcio, do qual fazem parte bancos italianos, irão comprar 100% da holding Olimpia.

A holding é a maior acionista da Telecom Italia, dona da TIM no Brasil e de uma participação minoritária na Brasil Telecom.

A agência, segundo sua assessoria de imprensa, soube da venda pela imprensa e por isso vai questionar os envolvidos para analisar a operação de acordo com a regulamentação existente.

Para o analista Alex Pardellas, do ABN Amro, os reflexos da operação no mercado brasileiro "dependem da interpretação dos órgãos reguladores, como Anatel e Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica]".

Segundo ele, a Telefônica não precisa ser majoritária no consórcio criado para comprar a Olimpia para esbarrar na regulamentação brasileira de concentração de mercado.

Por isso, ela poderá ser obrigada a vender alguma das participações que detém no País para atender às exigências, caso os órgãos enxerguem excessiva concentração com a transação.

A companhia de capital espanhol é dona da concessionária de telefonia fixa Telesp e detém 50% do controle da Vivo, maior operadoras de celular do País em número de clientes.

"Com a Telecom Italia, ela se torna um grupo extremamente importante no País, mas mesmo as ações das concorrentes dependem da avaliação dos órgãos reguladores", afirmou Pardellas.