Transmissão de TV pelo celular amarga baixa audiência no Brasil
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No ano em que as grandes telas com imagens em alta definição invadiram bares e salas de estar, o mercado nacional de transmissão de TV avança a passos de tartaruga na outra ponta da corda.
Realidade nos mercados europeu, japonês e norte-americano, a reprodução de TV pelo telefone celular no Brasil se resume atualmente a dois serviços operando com ressalvas e inúmeras promessas de investimentos salpicadas por vídeos ‘on demand’.
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> Veja os celulares que transmitem TV e vídeos
Tanto a Vivo como a Tim já oferecem a reprodução móvel de canais, com limitações que esbarram na falta de legalização da freqüência correta e no ainda baixo interesse de editoras em divulgar vídeos para celulares.
Do lado da Vivo, o Play 3G usa redes de alta velocidade EV-DO, cuja atualização ainda não foi oficializada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para transmitir os canais Bandeirantes e RTP, de Portugal.
Já a Tim, com o TV Access, utiliza o GPRS, destinado à troca proprietariamente de voz e não de dados, para transmitir os canais de negócios Bloomberg, de previsão do tempo Climatempo e SAT 2000, com notícias sobre o Vaticano.
Sem serviço do gênero disponível ainda, Claro e Oi se apressam em destacar serviços em que o usuário pode baixar clipes e vídeos pelas redes de voz dentro de um banco de dados da operadora - Vivo e Tim também oferecem serviços do gênero.
“Você sempre pode pensar em baixar pequenos arquivos, mas pra assistir TV, é necessário um sistema de 3ª geração que tenha banda maior de transmissão”, afirma Eduardo Tude, presidente da Teleco.
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“Como o pouco que temos (a rede EVDO da Vivo) é limitado a poucas regiões, o que pode ser apontado como principal razão pela baixa adoção”, explica Tude.
Assim como qualquer nova tecnologia de telecomunicações (vide o WiMax), o sucesso da transmissão de TV para celulares no Brasil implica na escala: quanto maior for a cobertura, mais usuários se interessarão pelo preço mais acessível e mais canais procurarão operadoras para parcerias de conteúdo.
Os investimentos já estão nos planos das operadoras. “Dentro do VMB e do Fashion Rio, fizemos transmissões experimentais dentro do próprio evento do serviço que pretendemos começar a oferecer no ano que vem”, adianta Fiamma Zarife, gerente de conteúdo e aplicações do grupo Telemar.
“Não dá pra ficar de fora, né?”, questona Zarife, adiantando que a Oi oferecerá determinados canais - “ainda em negociações” - sob a mesma tecnologia GPRS utilizada pela Tim.
Procurada pela reportagem, a Claro não definiu seus planos para transmissão de TV ao vivo.
Zarife cita novamente a palavra mágica no setor de telecomunicações para afirmar que a qualidade do serviço ajudará na maior penetração. “Usuários ficam surpresos [com a qualidade], o que já é um passo para começar a dar escala para o aparelho”.
Novo modelo de negócios
O principal reflexo, porém, da imaturidade do mercado brasileiro de TV no celular é a falta de um modelo de negócios específico.
Felipe Albuquerque, gerente de negócios multimídia da Vivo, acredita que o Play 3G tem sucesso por alcançar 600 mil da base de quase 1 milhão de usuários (são cerca de 900 mil atualmente) com aparelhos aptos a transmitir o sinal.
Por que então o Play 3G é gratuito desde julho de 2005, quando foi introduzido, até agora? Albuquerque justifica a tarifação limitada como uma forma de arregimentar público para o serviço, o que serviria de "atrativo para outras marcas e parceiros entrarem" no catálogo da operadora.
“Antes de decidirmos pelo modelo 'a la carte', enfrentamos o mesmo problema que tivemos com WAP. Não sabíamos se cobrávamos assinatura com tráfego, só tráfego, apenas uma assinatura mensal...”, diz.
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Fontes internas das quatro operadoras garantem que a cifra, no entanto, é muito menor. Brendan Conroy, da consultoria IDC, contabiliza cerca de mil clientes em todos os serviços de transmissão de TV ao vivo no Brasil, segundo funcionários de Tim e Vivo.
O modelo de venda de vídeos hoje respeita o mesmo modelo em lojas de música digital: cada vídeo tem seu preço estipulado pela operadora - menos a TV Access, da TIM, que cobra por minuto de transmissão e o IdéiasTV, da Claro, que cobra assinaturas entre 3,3 reais e 10 reais.
Os preços de vídeos ‘on demand’ variam entre 0,99 real e 5,50 reais pela Oi, 2,49 reais e 2,99 reais pela Tim e 3 reais e 6 reais pela Vivo.
“O modelo ‘on demand’, porém, pode ser uma boa porta de entrada pra outros formatos, para que ele se acostume em pagar quantias mensais e opte pela assinatura mensal, por exemplo”, despista Zarife.
O primeiro teste pago feito com Play 3G foi feito durante a Copa, quando vídeos do Mundial eram oferecidos por 1,5 real. Albuquerque classifica a experiência como “boa”, mas volta a afirmar que a transmissão não gera lucro para Vivo atualmente.
“Mesmo que 65% de uso em uma base de serviços agregados seja muito, o Play 3G é um investimento a médio prazo para a operadora”, afirma.
O perfil médio do principal usuário também não favorece as operadoras - a maioria esmagadora do conteúdo em serviços de transmissão de vídeo pelo celular se concentra em entretenimento, com destaque para videoclipes, futebol e conteúdo adulto.
Tanto Albuquerque como Marco Quatorze, diretor de serviços de valor agregado da Claro, vêem jovens entre 15 e 24 anos que apreciam e usam tecnologia, um público tradicionalmente sem renda fixa e que, na hora do aperto, corta custos supérfluos.
O executivo da Vivo vai ainda mais fundo afirmando que “o comportamento de consumo bem definido” dos jovens cria três períodos da audiência nobre: hora do almoço, final da tarde e começo da noite, “quando ele sai da faculdade ou está em trânsito”.
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“Mesmo que transmissão de notícias seja uma realidade para se assistir em movimento, o mercado ainda vai se definir tombando mais para o entretenimento do que pra vídeos mais ‘sóbrios’”, esclarece Tude.
Mesmo com tantos fatores contrários, a reação do usuário brasileiro é considerada ótima pelas operadoras que já conduziram testes.
“Em termos bem práticos, a impressão é que o usuário se surpreende pela qualidade”, destaca Albuquerque, que cita um possível preconceito pelo diminuto tamanho da tela.
Evidentemente, usuários terão que definir um novo padrão de qualidade para assistir TV pelo celular.
Mesmo que os 15 quadros por segundo das transmissões ofereçam imagens que fluam bem, assistir uma partida de futebol ou um filme pelo aparelho portátil não chega a ser uma experiência confortável.
“É preciso ter cuidado para encarar isto” diz Zarife, englobando tanto operadoras como usuários. “Não é broadcast de TV, mas sim outra forma de entretenimento com suas limitações”.
A popularização do serviço, segundo Tude, deverá começar apenas em 2008, quando “se espera que a Anatel tenha regularizado o 3G” no País, alimentando investimentos no setor.
Até lá, todos temos muito tempo para nos acostumarmos com o exagero de polegadas das telas de LCD e plasma antes de enquadrar o olhar na tímida tela dos telefones celulares.


