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TechnoScience!
O que vale a pena saber sobre o que vem por aí
19 de Outubro de 2007
O design do futuro sai de laboratório da Philips
Que o design é um fator importantíssimo como apelo de venda de qualquer produto de tecnologia, isso ninguém duvida. Quem se lembra dos “tijolões” celulares da Motorola, que cederam lugar (e o mercado) para o look clean dos charmosos celulares da Nokia? E as elegantes e delgadas tevês de plasma da Samsung, idealizadas como artigos que, além da qualidade de imagem e som, funcionam como elementos de valorização do ambiente? Não é preciso citar os Macintoshs, iPods e iPhones da vida. Tão logo foram lançados eles se converteram em ícones instantâneos de consumo (ninguém trabalha com design hoje melhor do que a Apple).
O que pouca gente sabe é que a introdução do design industrial como instrumento decisivo nos processos de desenvolvimento dos produtos eletro-eletrônicos se deu pelas mãos da Philips, ainda nos anos 60. A cultura do design nesta gigante holandesa data dos anos 30, mas foi apenas em 1969 que se criou um Centro de Design Industrial. Este, por sua vez, converteu-se em 1998 numa empresa independente, a Philips Design. Com sede na Holanda e escritórios nos EUA, França, Inglaterra, Índia, Áustria, Hong-Kong, Singapura e Taiwan, a Philips Design é responsável pelo design de toda a linha de produtos da Philips, assim como de diversos clientes selecionados.

Crachás emocionais de 1995: adornos lúdicos de comunicação inter-pessoal
(Créditos: ©2004-2007 Koninklijke Philips Electronics N.V.)
Na última década, sua equipe de “estilistas” vem abocanhando prêmio após prêmio nas mais importantes feiras de design do planeta. Ao mesmo tempo, eles organizam exposições aonde expõem protótipos que aliam o uso da tecnologia com a praticidade do dia-a-dia. Em 1995, por exemplo, Visão do Futuro revelou surpreendentes crachás emocionais que mudavam de cor na presença de amigos e conhecidos. Memória Viva (1997) mostrou mesinhas de café e de jogos capazes de captar, armazenar e compartilhar as interações de seus ocupantes.

Bandeja com mini-monitor acoplado, projeto de 1998
Já a Arte Culinária (1998) ousou levar o café da manhã até a cama em bandejas com telas planas acopladas, além de toalhas de mesa cujo tecido era entremeado por fios elétricos ligados à rede de energia, de modo a manter os alimentos aquecidos dispensando os fios e sem dar choque. A Casa do Futuro Próximo (1999) foi uma coletânea de tudo isso, um lar imaginário aonde a tecnologia era invisível e permeava todos os cômodos e objetos da decoração, como o espelho do banheiro que fazia às vezes de monitor ligado à internet.

Espelho com monitor embutido, reflexo do boom da internet
Nos últimos três anos, o italiano Stefano Marzano, diretor da Philips Design desde 1991, resolveu dar asas à imaginação e voar em direção ao futuro não tão próximo, quando a nanotecnologia e os novos materiais permitirão que vestidos inteligentes mudem de cor, luminosidade e textura dependendo do ambiente e do nosso estado de espírito. Sob esta perspectiva, foram criados adornos e jóias sensoriais, na verdade dispositivos eletrônicos de comunicação e/ou localização, aderentes à pele.

Nanotecnologia e novos materiais farão surgir vestidos de néon
O passou seguinte foi imaginar protótipos de tatuagens eletrônicas inteligentes e interativas, que um dia poderão desabrochar sobre a pele, criando formas inusitadas que irão refletir o estado de espírito dos corpos que as “vestem”.

Tatuagem mutante: desabrocha padrões que refletem nosso estado de espírito

Jóias sensoriais: dispositivos de comunicação que adornam o corpo
Um projeto correlato é o dos sensores emocionais. Segundo seus criadores, estes adornos abrirão todo um universo de aplicações emocionais para os gadgets de comunicação. Entre estes aplicativos futuristas eles destacam a possibilidade de interação entre os usuários, na forma de games físicos e emocionais, de controle mental e do estresse, assim como o que entendem por “telefonia emocional”.

Sensores irão viabilizar a "telefonia emocional"
Confesso que não consegui descobrir em lugar nenhum o que diabos seria essa tal de “telefonia emocional”. Mas não perdi muito tempo com isso. Afinal, estamos falando do futuro. Quem poderia imaginar nos anos 60 que bastariam três décadas para que um terço da Humanidade portasse comunicadores sem fio iguais ao do capitão Kirk de Jornada nas Estrelas?
