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O que vale a pena saber sobre o que vem por aí
13 de Agosto de 2007
Um laser gigante a 10 mil metros de altitude
A Força Aérea dos EUA acabou de testar um canhão-laser de alta potência instalado no nariz de um Boeing 747-400F. O novo sistema de defesa, batizado de YAL-1 Airborne Laser (ABL), foi idealizado para abater mísseis inimigos disparados em campos de batalha. Segundo o Pentágono, o Jumbo decolou em 15 de março da base aérea Edwards, no deserto da Califórnia. Durante o teste, a aeronave modificada voando a 10 mil metros de altitude usou seus sensores de infravermelho para localizar um jato NC-135E Big Crow da Força Aérea.
O objetivo era demonstrar a habilidade dos sistemas em rastrear e seguir o alvo em vôo, compensando a turbulência atmosférica para efetuar o disparo do laser, que foi realizado com sucesso, destruindo “virtualmente” o alvo. “Acabamos de demonstrar a maioria dos passos necessários para que o Airborne Laser entre em serviço, enfrentando a ameaça de um míssil e direcionando efeitos precisos e letais contra este”, disse Pat Shanahan, vice-presidente da Boeing Missile Defense Systems.

O primeiro Airborne Laser em vôo (USAF, Jim Shryne)
O Programa Airborne Laser foi iniciado em 1996 ao custo inicial de US$ 1,1 bilhão. A Boeing ficou a cargo da construção de um 747 modificado. Já a TRW (adquirida posteriormente pela Northrop-Grumman) teve a responsabilidade de projetar o canhão-laser, cujo primeiro disparo – numa versão reduzida - aconteceu com sucesso ainda em 2000, quando conseguiu destruir dois foguetes russos Katyusha armados com alto explosivo.

A lente no bico da aeronave focaliza o laser sobre o alvo (USAF, Jim Shryne)
O canhão-laser instalado no Jumbo ocupa quase todo o interior da sua fuselagem. Sua energia é produzida por um laser infravermelho a partir da reação química entre cloro gasoso, iodo molecular, hidróxido de potássio e peróxido de hidrogênio. A energia produzida, invisível ao olho nu, é projetada para o nariz da aeronave, onde uma lente de 1,5 metro de diâmetro focaliza o feixe de alta-energia sobre o alvo.

O primeiro teste de fogo real deve ocorrer até 2009 (Boeing Company)
O próximo passo é realizar um disparo de fogo real, interceptando e destruindo um míssil de verdade, o que deve acontecer entre 2008 e 2009. Caso obtenha sucesso, o Pentágono deverá criar uma esquadrilha com até seis YAL Airborne Lasers.

O laser é criado a partir da reação de cloro, iodo, potássio e hidrogênio (Boeing Company)
Este canhão laser aerotransportado é uma versão reduzida da antiga Iniciativa de Defesa Estratégica, o programa conhecido como “Guerra nas Estrelas”, que era a menina dos olhos do governo de Ronald Reagan (1980-1988). Naquela época, o Pentágono pretendia colocar no espaço um cinturão de canhões-laser orbitais cuja missão seria abater mísseis nucleares soviéticos. Mas aqueles eram outros tempos. A URSS acabou e com ela a Guerra Fria. Hoje os inimigos são outros: o Irã, a Coréia do Norte e os terroristas da rede Al Qaeda.
