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O que vale a pena saber sobre o que vem por aí
15 de Junho de 2007
Ponte-aérea orbital
Num futuro próximo, não serão apenas os astronautas americanos, os cosmonautas russos e os taikonautas chineses – além do major Marcos César Pontes, cuja passagem de US$ 20 milhões foi paga pelos contribuintes brasileiros – os únicos cidadãos com direito a fazer turismo no espaço. É que a gigante aerospacial EADS Astrium, a fabricante do foguete Ariane 5 da Agência Espacial Européia (ESA), anuncia na segunda-feira 18 de maio no Salão Internacional de Aeronáutica de Le Bourget o projeto do seu primeiro veículo suborbital voltado para atender ao futuro mercado do turismo espacial. Com as dimensões de um jatinho executivo, o veículo espacial levará quatro passageiros até 100 quilômetros de altitude, proporcionando a eles mais de três minutos de experiência num ambiente com gravidade zero.
O futuro jatinho da Astrium irá decolar e pousar de forma normal e da pista de um aeroporto convencional – nada de espaçoportos ou coisas do gênero. Suas turbinas à jato irão elevá-lo até 12 quilômetros de altitude, ponto onde os propulsores de foguete serão acionados, proporcionando empuxo suficiente para acelerar a espaçonave em 80 segundos até os 60 quilômetros de altitude. Nesse instante o piloto desligará os propulsores, deixando que a inércia eleve a nave até os 100 quilômetros de altitude.

O futuro jatinho da Astrium irá custa 1 bilhão de euros (todos os créditos: © EADS Astrium / images MasterImage 2007)

O jatinho irá decolar e pousar normalmente de qualquer aeroporto convencional
Para o maior conforto dos passageiros, assentos especiais serão especialmente projetados para aliviar os efeitos desta tremenda aceleração. Ao piloto caberá a tarefa de controlar a nave por meio de pequenos propulsores para dilatar o tempo de permanência suborbital, oferecendo aos clientes uma visão deslumbrante da superfície terrestre. A seguir, inicia-se a descida, quando os motores a jato são novamente acionados para levar a aeronave a um pouso seguro. O passeio suborbital inteiro irá durar cerca de uma hora e meia.

Motores à jato elevam a aeronave até 12 km de altitude, ponto onde o piloto aciona os foguetes

Poltronas especiais amenizam a aceleração até os 100 km de altitude em apenas 80 segundos
A Astrium espera dar a largada no projeto em 2008 e decolar o seu primeiro jatinho espacial em 2012 – isso se conseguir angariar investidores dispostos a desembolsar cerca de 1 bilhão de euros, o custo estimado do projeto. A empresa calcula que cada passagem não sairá por menos de € 150 mil.

O ponto mais alto da viagem é o limite da estratosfera, a 100 km de altitude

Neste ponto, os passageiros irão flutuar 3 minutos num ambiente com ausência de gravidade
A tentativa de desenvolver um mercado turístico espacial não é nova. Nos anos 90 foi criado o Prêmio X, que daria US$ 10 milhões para a primeira empresa que conseguisse construir e decolar com recursos próprios um veículo suborbital para voar até 100 quilômetros de altitude. Duas dezenas de equipes de todo o mundo inscreveram seus projetos, mas quem acabou embolsando o prêmio foi a americana Scaled Composite. Seu veículo espacial, o SpaceShipOne, realizou o vôo vencedor em 21 de junho de 2004.
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