Intel planeja entrar no mercado de TV via Internet até o fim do ano

Brennon Slattery
15/03/2012 - 10h00 - Atualizada em 15/03/2012 - 11h49
Empresa estaria negociando com provedores de conteúdo para lançar set-top box que transmitiria conteúdo por cabo.

A Intel é a próxima da longa fila de empresas que sonham em matar a TV a cabo e lançar um serviço de streaming de televisão por Internet, de acordo com o jornal Wall Street Journal. O veículo afirmou que a empresa estava conversando com provedores de conteúdo, indicando que a multinacional poderia lançar seu próprio set-top box e apresentar o serviço no fim de 2012. 

Apesar dos detalhes serem muito esparsos, parece que a Intel não tem o objetivo de simplesmente criar um concorrente para o Netflix e o Hulo. Em vez disso, a empresa está tentando melhorar a infraestrutura das assinaturas de TV atuais para uma “operadora virtual” via Internet que iria oferecer canais dos EUA, similar ao encontrado em operadoras de televisão a cabo ou satélite. 

Deixar de utilizar os cabos tem sido um dos objetivos de muitas outras companhias, logo é um pouco estranho ouvir que a Intel – que normalmente fabrica os chips presentes em PCs, Macs, e agora smartphones – esteja tentando galgar um lugar onde a Apple, Microsoft e o Google (a Intel deu apoio ao Google TV com seus processadores) não obtiveram tanto sucesso. 

O primeiro problema à vista é o quão saturados os consumidores estão em relação a esse tipo de produto. A não ser que a empresa forneça opções do serviço para outros dispositivos, como na forma de apps, os usuários podem acabar presos em outra pequena caixa de plástico que compartilharia sua conexão de Internet com a Apple TV, Roku, TiVo e o XBox 360. Além disso, a marca possui pouco apelo, já que, apesar de forte, não é tão conhecida e idolatrada como outros símbolos populares como a Apple e a Amazon, das quais os consumidores já estão acostumados a adquirir conteúdo diretamente. 

O dinheiro também é uma questão importante, já que é caro oferecer conteúdos pagos de qualidade – o próprio Netflix, que perdeu o contrato com o Starz, mesmo após uma proposta de 300 milhões de dólares, é um exemplo claro. A HBO, por outro lado, não deseja disponibilizar seu conteúdo, já que possui seu próprio serviço de streaming. 

Não que a Intel esteja necessariamente com os bolsos vazios: a multinacional está avaliada em cerca de 137 bilhões de dólares, e, quando comparada com seus competidores em potencial  como o Netflix (que possui valor de mercado de cerca de 6 bilhões), as chances de sucesso da fabricante de processadores aumentam. No entanto, basta comparar com a Amazon (83 bilhões) ou a Apple (521 bilhões) e adicionar a projeção do WSJ para o custo anual das licenças de conteúdo (38 bilhões) para o cenário ficar bem mais nebuloso. 

PC World/EUA