O que deve mudar com a abertura das ações do Facebook
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A decisão do Facebook de tornar-se uma empresa pública é vista como um divisor de águas para a oferta de ações da web 2.0, mas o que ela vai significar para os 845 milhões de usuários da rede social, e para as empresas que criam aplicativos para o site?
O Facebook entrou com o pedido para sua oferta pública inicial (IPO) na tarde de ontem, 1/2, uma ação que deve levantar entre 5 bilhões e 10 bilhões de dólares. Mas isso também significa que a empresa ficará sob um exame público ainda maior, e é provável que enfrente uma forte pressão por parte dos investidores para continuar crescendo a cada trimestre.
Analistas da indústria apontam algumas áreas chave onde o Facebook buscará expandir suas operações, seja por meio de desenvolvimento interno ou por meio de aquisições. As mudanças podem aparecer na forma de recursos disponíveis para os usuários no site, e em como a rede social usará os dados dos usuários para fazer dinheiro.
O site muito provavelmente vai melhor a experiência móvel para os usuários. Ele tem sido explicito sobre suas intenções de “investir em novas tecnologias para que você tenha uma ótima experiência com o Facebook, não importa onde esteja”, como informa um post no blog oficial da empresa.
Os usuários podem esperar ver mudanças na experiência móvel mais cedo do que imaginam, afirma o analista de tecnologia do Gartner, Brian Blau. “Nesse momento, o Facebook é uma empresa que realmente tem duas experiências: desktop e móvel. Essas experiências têm começado a ficar parecidas nos últimos meses. Você pode ver a direção para onde o Facebook está indo.”
O dinheiro levantado por meio do IPO também permitirá que o Facebook promover desafios mais sérios para seu rival Google. O Facebook poderia, por exemplo, tentar melhorar sua função de busca. “Se o rede social tivesse uma das melhores buscas da web, por que você sairia do site?”, afirma o fundador da Moor Insights & Strategy, Patrick Moorhead, que também já trabalhou no famoso buscador AltaVista.
A rede social já é responsável por uma a cada quatro visualizações na Web, mas registra apenas 10% dos rendimentos com anúncios na Internet, afirma o CEO da BoostCTR, David Greenbaum. Uma melhor função de busca poderia ajudar a aumentar a participação do Facebook nesse mercado de publicidade online.
Para Greg Sterling, da Sterling Market Intelligence, a natureza utilitária das plataformas de busca ajuda a aumentar o sucesso dos seus anúncios.
“O Facebook é uma ótima ferramenta de comunicação, mas de algumas maneiras ele não é útil como um site de buscas”, diz. “Quando os usuários visitam um site de buscas, eles têm tarefas em mente e as cumprem. Eles estão fazendo reservas, comprando coisas.”
Segundo analistas da indústria, é quase certo que o Facebook continuará a ser uma ecossistemas cada vez mais amigável para aplicativos de terceiros. Em agosto, a companhia recebeu o título pouco honroso de “pior API” em uma pesquisa com desenvolvedores feita pelo serviço agregador de fotos Trove. Em setembro, o site começou a soltar suas novas APIs ligadas ao seu novo recurso de interface Timeline. Para os usuários, isso pode significar uma nova leva de aplicativos, para desktop e especialmente aparelhos móveis.
As centenas de milhares de empresas que dependem das APIs do Facebook verão principalmente coisas boas a partir da IPO do site, afirmam analistas de mercado.
“O dinheiro levantado será bom para todo o ecossitema do Facebook”, afirma a analista do Altimeter Group, Rebecca Lieb. É muito provável qoe o Facebook também tenter conseguir mais parcerias para assegurar o crescimento de rendimentos, afirmam alguns analistas. Muitos deles pensam que o Facebook precisará tornar suas APIs mais estáveis; senão, como uma empresa pública, terá de resolver problemas de execução que no passado podia esconder.
O Facebook tomou algumas ações iniciais no mundo do comércio, e alguns analistas preveem que a empresa entrará mais profundamente nessa área para sustentar seu crescimento futuro.
Em publicidade, o principal objetivo do Facebook é ajudar comerciantes com compradores potenciais baseados nos dados pessoais deses potenciais compradores. A cultura do Facebook é de “empurrar o conceito de privacidade”, afirma Sterling, e maximizar seu rendimento com publicidade. Com a oferta de novos serviços, essa tendência pode se intensificar, explica. “Mas é meio que um calcanhar de Aquiles para eles, no sentido que se forem muito longe poderão acabar alienando os usuários”, diz.


