Reportagem do NYT diz que Apple só se importa com queda de custos de produção
Macworld / Reino Unido
Publicada em 27 de janeiro de 2012 às 15h46
Em entrevista para o New York Times, ex-funcionários e fornecedores acusam a fabricante de ser complacente com o abuso a trabalhadores.
A Apple está sendo acusada de “ignorar o custo humano” da cadeia de fabricação dos seus produtos, em uma reportagem publicada pelo New York Times esta semana. O artigo, que chega depois de outra reportagem do jornal sobre a razão de a “maçã” fabricar seus aparelhos longe dos EUA, cita ex-funcionários da Apple, que acusam a fabricante de ser complacente com o abuso a trabalhadores da linha de produção.
“A Apple nunca se importou com outra coisa que não fosse o aumento da qualidade dos produtos e queda dos custos de produção. O bem-estar dos funcionários não tem nada a ver com os interesses deles”, afirmou a ex-funcionária da Foxconn (empresa que produz equipamentos como iPad e iPhone), Li Mingqi, que está processando a empresa após ter sido demitida.
Li ajudava a gerenciar a fábrica de Chengdu, onde ocorreu uma explosão em maio do ano passado. O incidente causou a morte de três funcionários e deixou outros feridos. Outro incêndio ocorreu em uma unidade da Foxconn em Yantai, em setembro, quando também aconteceu uma explosão em uma fábrica de outra parceira de produção da Apple, a Pegatron, que deixou 60 funcionários feridos.

iPad: condições de produção em fábricas da Ásia são questionadas
Um ex-executivo da Apple, falando sob a condição de anonimato, disse ao New York Times: “nós sabemos sobre abusos trabalhistas em algumas fábricas há quatro anos, e eles continuam. Por que? Porque o sistema trabalha para nós. As fornecedoras mudariam tudo amanhã se a Apple dissesse para elas que elas não têm outra escolha.”
Apesar de a segurança nas fábricas das parceiras da Apple ser o principal foco da reportagem, há também apontamentos mais gerais sobre as condições de trabalho e as horas que os funcionários precisam trabalhar (vale lembrar que o artigo também aponta críticas similares feitas a fornecedoras de empresas como Dell, HP, IBM, Lenovo, Motorola, Nokia, Sony e Toshiba).
“Os funcionários trabalham com excesso de horas extras, em alguns casos chegando a sete dias por semana, e vivem em dormitórios lotados. Alguns dizem que eles ficam tanto tempo de pé que suas pernas incham a ponto de quase não onseguirem andar. Funcionários menores de idade ajudaram a construir produtos da Apple, e as fornecedoras da companhia se livraram de maneira incorreta de lixo perigoso e falsificou registros, de acordo com relatórios da companhia e grupos de defesa dos trabalhadores que, na China, são geralmente considerados monitores independentes e confiáveis”, afirma a reportagem do NYT.
Há algumas semanas, a Apple lançou seu relatório anual de Responsabilidade de Fornecedores, no qual a “maçã” afirma ter encontrado “um número significativamente menor de casos de trabalho infantil” entre suas fornecedoras, que foram nomeadas pela companhia.
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