Google admite fraude e pede desculpas a empresa do Quênia
Notícias Relacionadas
A Google confirmou como verdadeiras as alegações feitas na sexta-feira, 13/1, pela provedora queniana de listas online Mocality de que funcionários da gigante de buscas tentaram minar os negócios dessa companhia ao mentir para seus clientes e obter de maneira inadequada seus dados.
“Nós estamos chocados em saber que uma equipe de pessoas trabalhando em um projeto da Google usou os dados da Mocality de forma incorreta”, afirmou o vice-presidente de engenharia e produto da Google na Europa e países emergentes, Nelson Mattos.
“Nós já pedimos desculpas à Mocalit. Ainda estamos investigando exatamente como isso aconteceu, e assim que soubermos todos os fatos, tomaremos as ações apropriadas junto às pessoas envolvidas”, disse o executivo em uma declaração oficial.
A Mocality, que possui um grande diretório online de listagens de empresas no Quênia, afirmou na sexta-feira que por meses a Google enganou os clientes da Mocality ao dizer que as duas empresas tinham uma parceria e que a Mocality cobrava por seus serviços.
As chamadas começaram pouco após a Google anunciar seus planos, em setembro, de fornecer às pequenas e médias empresas quenianas sites desenvolvidos e hospedados gratuitamente, assim como uma opção para comprar seus próprios domínios, informa o CEO da Mocality, Stefan Magdalinski, que publicou uma lista detalhada das alegações no blog da companhia.
Cerca de 30% das 170 mil empresas listadas no diretório da Mocality foram procuradas por funcionários da Google no Quênia e de uma empresa de call center que a gigante de buscas aparentemente contratou na Índia, como parte da iniciativa Getting Kenyan Businesses Online (GKBO – Tornando as empresas quenianas online), afirma.
“Desde outubro, a iniciativa GKBO da Google tem acessado sistematicamente a base de dados da Mocality e tentado vender seu produto concorrente aos nossos clientes donos de companhias. Eles disseram mentiras sobre nossa relação com eles, e sobre nossas práticas profissionais, para fazer isso”, disse Magdalinski.
O CEO da Mocality forneceu um grande número de evidências para apoiar suas alegações, incluindo endereços IP (Internet Protocol) e conversas gravadas entre seus funcionários e pessoas representando a Google, que pensavam estar falando com um cliente da Mocality.
A base de dados da Mocality é o principal foco do seu negócio, e a companhia a construiu pagando por isso. Nos últimos dois anos, a empresa gastou mais de 100 mil dólares com moradores do Quênia como parte de um esforço de crowdsourcing (modelo que utiliza a inteligência coletiva espalhada pela Internet para criar conteúdo e desenvolver soluções).
A notícia do escândalo chegou em um momento especialmente ruim para a Google, que na última semana foi alvo de críticas feitas por especialistas e empresas como o Twitter, que afirmam que seu último recurso de busca social é injusto com os concorrentes e potencialmente ilegal.


