Plataforma online promete ser a 'escola do futuro'

Cauê Fabiano, IDG Now!
06 de janeiro - 12h00
Ferramenta permite que usuários ministrem aulas em tempo real e troquem conteúdo - o chamado 'social learning'.

A web é uma das principais ferramentas que possuímos hoje para não só produzir como também consumir e compartilhar conteúdo. O poder de mídia é tanto (grande parte dos cidadãos do mundo hoje pode, sem custo, manter um blog, por exemplo) que a avalanche de informações até inspira trabalhos sobre curadoria, que tem como exponencial Steven Rosenbaum, CEO da Magnify.net

Esse colaborativismo (que forma a chamada web 2.0) abre um leque extenso de possibilidades, principalmente no que diz respeito ao Social Learning, a troca e produção de conhecimento entre usuários ao redor do mundo. É com essa perspectiva que surgiu a MonQI, uma plataforma para distribuição e produção de conhecimento para usuários finais, professores e até mesmo empresas. 

“As escolas limitam – passam informação e não querem receber de volta. Na MonQi, todo usuário pode compartilhar esse tipo de conteúdo, via Social Learning”, explica Thiago Cassini, CEO da MonQi e co-fundador da HOTWords, empresa de mídia online presente em oito países. O site está em funcionamento desde novembro de 2011 e, nas duas semanas que aprovou cadastros de membros (à época ainda não estava totalmente aberta ao público), acumulou mais de 500. 

Trata-se de um sistema de aulas, que os usuários assistem ou mesmo ministram, dentro da área que mais dominam. Os temas, no entanto, são livres, com canais que vão de culinária a professores que ensinam matemática, física ou como montar um origami. Qualquer um pode ser um professor e gerar conteúdo – e ainda ser remunerado por isso. A partir de uma moeda (chamada QI), é possível cobrar pelas aulas ou adquirir créditos para poder consumir outros conteúdos pagos ou comprar aplicativos para ser usados no site – a API do serviço, de acordo com Cassini, será oferecida a desenvolvedores interessados em criar apps para a plataforma. 

Interface
Depois de criar um perfil, o usuário possui uma agenda, e pode marcar a data e o horário das aulas que deseja assistir ou dar (podem ser pagas ou gratuitas). Elas serão transmitidas ao vivo por videoconferência, e quem se inscreveu para essa aula são avisados por e-mail, 5 minutos antes. Nessa “sala online” (que comporta até 1000 alunos simultaneamente), o ambiente é colaborativo: há uma lousa na qual o professor pode compartilhar o display do próprio computador, desenhar na tela, subir conteúdos multimídia (como PDF’s que podem ser grifados, vídeos, slides), promover enquetes, utilizar um laser pointer na tela ou até mesmo compartilhar a câmera de outro usuário, juntando dois especialistas de qualquer lugar do mundo. Os alunos dispõem de um chat, no qual podem se corresponder entre si e com o professor e um botão para “levantar a mão”, que envia notificações de dúvidas para quem estiver ministrando a aula. 

As sessões podem ser gravadas e armazenadas em um servidor próprio junto com outros conteúdos multimídia do usuário – por enquanto, não há limite de espaço. Há também um mecanismo de busca do site, que possibilita procurar não só perfis como também palavras-chave dos materiais que foram postados. Isso permite a um pesquisador, por exemplo, comentar e anexar documentos que complementem ou sejam parecidos com apresentações, pesquisas, livros, vídeos ou postados por outro usuário. Esse pesquisador pode subir um livro e estipular um preço para ele, em QIs. No entanto, Cassini afirmou que a monetização não é o principal objetivo do projeto. “A intenção é fazer com que as pessoas não pensem só no dinheiro, é para compartilhar mesmo, criar conhecimento em um ambiente menos acadêmico, mais social” destacou. 

O controle de conteúdo é feito manualmente (no caso de publicação indevida, por exemplo), e conta  com um manual e a ajuda dos próprios usuários. Os perfis possuem um sistema de pontuação que, no futuro, será parecido com um de conquistas (ou “achievements”). “Você vai recebendo certificados até se tornar um ‘professor MonQi’, que pode, por exemplo, cobrar mais. Você vai ganhando pontos e destaque na home, relevância, subindo de nível”, exemplifica o CEO. 

A plataforma é integrada com mídias sociais: assim que a aula começa, ela é compartilhada na linha do tempo do Facebook em forma de player, e qualquer um pode acompanhar a videoconferência. Caso seja uma aula paga, serão exibidos os primeiros cinco minutos, e depois será exigido login e senha do usuário, além da quantidade de QIs necessária para a aula – quem é membro e já pagou, assiste diretamente da linha do tempo. No Twitter, é postado o link com o título da aula, e o endereço direciona para o site da MonQI. 

Futuro
Cassini explicou que, além do potencial social learning da MonQi, a ferramenta pode também ser um bom aliado das grandes empresas. A plataforma pode ser customizada e utilizada para treinamento de funcionários, palestras, e para oferecer cursos online. 

O gestor pode, por exemplo, realizar reuniões não-presenciais e obter relatórios sobre quais funcionários participaram do encontro. Com a ferramenta integrada à Intranet da empresa, os colaboradores podem desde assistir a WebTv da companhia até se comunicar entre si. “Esse ambiente de social, dentro de uma empresa, pode ser muito válido. O cara já fica no Facebook, por que ele não fica num ambiente parecido com Facebook, só que gerando conhecimento, gerando valor para a empresa, já que ele quer conversar com todo mundo?” propôs Cassini. 

Ainda no primeiro trimestre deste ano, a plataforma ganhá um aplicativo para iOS, em desenvolvimento. Com ele, será possível ministrar ou acessar aulas direto do iPhone ou iPad. O grande desafio é o transpor o conteúdo do site para HTML5, já que o Flash não é suportado pelos dispositivos da Apple.