Análise: Microsoft comprou Skype para se defender da concorrência

IDG News Service/Estocolmo
10 de maio - 14h10
Segundo observadores, intenção foi afastar outros interessados, como Google e Facebook; desafio agora será lidar com o conflito entre produtos.

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A compra da Skype pela Microsoft por 8,5 bilhões de dólares é considerada por muitos analistas como uma manobra defensiva e uma tentativa da empresa de se manter no nível da Google e do Facebook no terreno da Internet.

Há uma enorme e cada vez maior batalha pelos serviços mais populares da Internet.  Grandes empresas do setor, como Google, Apple, Facebook e Microsoft, precisam atrair usuários. E é disso que trata a aquisição da Skype, de acordo com Paolo Pescatore, analista da CCS Insight.

A Microsoft parece perceber que precisa reagir. Assim, o negócio ganha um caráter de defesa, com a intenção velada de impedir que os rivais comprassem a Skype, afirmou Pescatore.

A Microsoft não precisaria realmente fazer essa aquisição, já que tem todos os ativos técnicos de que precisa para competir com a Skype.

No entanto, o principal ativo da Skype é sua base de clientes, aponta Magnus Rehle, sócio-gerente da Greenwich Consulting Nordic.

A Skype tinha, no segundo trimestre de 2010, uma média de 124 milhões de usuários conectados por mês. Em períodos de pico, 23 milhões de usuários podiam ser encontrados online. Os usuários fizeram chamadas de voz e vídeo que totalizaram 95 bilhões de minutos no primeiro semestre de 2010; em 40% do tempo, eles também usaram vídeo, de acordo com números divulgados pela Skype em seu site.

Estratégia cara
O custo de afastar a concorrência da Skype custou caro à Microsoft: 8,5 bilhões de dólares. Mas quando a Skype é colocada à venda, sempre parece haver muito dinheiro envolvido, disse Katja Ruud, diretora de pesquisas da Gartner.

Em dezembro, a CCS Insight havia afirmado que uma eventual aquisição da Skype daria ao Facebook um enorme grupo de usuários complementar e permitiria ao site acrescentar rapidamente serviços de voz ou vídeo ao portfólio de comunicação da rede social.

Para a Google, a compra da Skype também faria sentido. Os serviços concorrentes da gigante de buscas, como o Talk e o Voice, têm apenas uma fração do sucesso obtido pela Skype, afirmou o vice-presidente de pesquisas do Gartner, Leif-Olof Wallin.

O desafio para a Microsoft é que haverá diversas sobreposições entre seus produtos e os da Skype. Isso inclui o Windows Live Messenger, um produto que também permite chamadas de voz pela Internet.

Skype e Microsoft também têm como alvo as empresas. A Microsoft tem uma ferramenta de comunicações unificadas para servidor que conecta PCs ao PBX para oferecer chamadas VoIP, mensagens instantâneas e videoconferência.

Chamada anteriormente de Communications Server, o produto foi rebatizado como Lync; o serviço Lync Online, hospedado na nuvem, oferece funcionalidade similar. O Skype Connect, por sua vez, é um serviço que permite às empresas conectar seus PBX ao Skype para despachar e receber chamadas. Uma ferramenta de gerenciamento, chamada Skype Manager, permite às empresas controlar os custos das chamadas.

De rival a aliada
A Skype já não é mais vista como a ameaça que costumava ser para operadoras de telefonia móvel e fixa, de acordo com Bem Wood, diretor de pesquisas da CCS Insight. Embora a Skype tenha causado uma considerável erosão nos preços, os dois mundos parecem coexistir, afirmou Wood.

O acordo da Skype com a Verizon Wireless, que integrou o software Skype em alguns de seus smartphones e planos de serviço, fez da empresa um alvo mais interessante para aquisição, ressaltou Wood. Mas o relacionamento com as operadoras ainda é algo que a Microsoft terá de levar em consideração, afirmou.

O acordo da Skype com a operadora 3, do Reino Unido, resultou em um alto uso do serviço entre seus assinantes e, em alguns casos, atraiu o interesse por outros serviços fornecidos pela operadora, segundo Pescatore.

Fundada em 2003, a Skype foi comprada pelo eBay em 2005 por 2,6 bilhões de dólares. Em novembro de 2009, um grupo de investimentos liderado pela Silver Lake – e que inclui Andreessen Horowitz, um fundo canadense de pensões, a Joltid Limited e os fundadores Nilkas Zennströn e Janus Friis – comprou 70% da empresa. Nesse acordo, a Skype foi avaliada em 2,75 bilhões de dólares.

(Mikael Ricknäs)