MIT cria robôs que 'comem' vazamentos de óleo em alto mar

Computerworld/EUA
30 de agosto - 08h40
Chamados Seaswarm, aparelhos funcionam como enxames e varrem o óleo do mar por meio de uma malha com nanofios que deixam passar a água.

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Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, têm usado nanotecnologia para desenvolver um robô capaz de navegar, de forma autônoma, pela superfície de um oceano para limpar um vazamento de óleo.

Os cientistas imaginam que uma frota desses aparelhos, chamados Seaswarm, poderia limpar vazamentos de óleo de forma mais eficiente e a um custo menor que o dos métodos atuais, de acordo com a universidade. Os pesquisadores informam que uma frota de 5 mil robôs Seaswarm seria capaz de limpar um vazamento do tamanho do mais recente, ocorrido no Golfo do México, em um único mês.

“Nós esperamos que manchas de óleo gigantes como a do incidente Deepwater Horizon não ocorram no futuro. No entanto, pequenos vazamentos ocorrem constantemente em poços offshore”, disse o pesquisador Carlo Ratti, em comunicado.

“O desafio que demos a nós mesmos foi o de projetar um sistema de limpeza simples e barato que resolvesse o problema... Ao contrário dos coletores tradicionais, o Seaswarm baseia-se em um sistema de pequenas unidades autônomas que se comportam como um enxame que ‘digere’ o óleo localmente, trabalhando incansavelmente e sem intervenção humana.”

Protótipo
Uma equipe de cientistas do MIT desenvolveu um protótipo do robô, cuja demonstração estava prevista para o fim de semana encerrado ontem (29/8) em um festival internacional na Itália. O festival tem como foco como a nanotecnologia mudará vidas em 2050.

O robô, que tem cerca de 5 metros de comprimento e 2,1 metros de largura, foi projetado para usar um único coletor coberto com uma fina malha de nanofios que absorve óleo. Essa malha, desenvolvida pelo MIT, repele água mas absorve óleo à proporção de 20 vezes seu próprio peso. De acordo com a universidade, o óleo pode ser removido de dentro do robô e queimado. A malha pode, assim, ser reutilizada.

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Usando o comportamento de enxame, as unidades usarão comunicação sem fio, junto com GPS, para cobrir uma área do oceano, sem se amontoar ou deixar áreas sem limpeza, explicou o MIT. Ao detectar a fronteira do vazamento e mover-se para dentro dela, os robôs se comunicarão entre si para cobrirem a mancha igualmente.

Os robôs também obtêm energia sozinhos, usando painéis solares de dois metros quadrados.

O MIT, que destacou que o robô poderia trabalhar continuamente por semanas, informou que durante a limpeza do vazamento do Golfo, mais de 800 coletores foram empregados, mas apenas 3% da superfície de óleo foi coletada.

Outros projetos
Em outubro passado, os cientistas do MIT trabalhavam para desenvolver um robô, chamado Affective Intelligent Driving Agent (AIDA), que poderia ser instalado dentro de um carro. O sistema foi projetado para mudar o jeito que as pessoas interagem com seus veículos, ajudando-os a evitar engarrafamentos e encontrando a gasolina mais barata em seu caminho.

No ano passado, uma empresa desmembrada do MIT, Boston Dynamics, disse que começou a trabalhar em um robô de quatro rodas que será capaz de saltar obstáculos e ajudar tropas militares em combate. Chamado de Precision Urban Hopper, a máquina foi construída para os Sandia National Laboratories.

(Sharon Gaudin)