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29 de agosto de 2010
mercado
Balanços

Kindle esgotado: descubra as razões para a Amazon ainda não comemorar

Por IDG News Service

Publicada em 30 de julho de 2010 às 12h48

Com preço reduzido, as vendas do leitor digital triplicaram e esgotaram os estoques nos EUA. Mas a Amazon ainda precisa observar certos aspectos do seu leitor.

A norte-americana Amazon conseguiu esgotar todos os aparelhos Kindle à venda, poucas semanas após diminuir o preço para 189 dólares. Uma nota postada no site da companhia diz: "O Kindle está temporariamente sem estoque. Encomende agora e nós entregaremos quando estiver disponível. Logo que tivermos mais informações, contataremos você por e-mail com uma data de entrega estimada. O valor só será cobrado após o envio do produto".

Este deve ser um excelente momento para a Amazon, não acha? Afinal, apenas alguns meses atrás, especialistas previam que o Kindle seria uma vítima do iPad, da Apple. Agora, parece que a empresa mostrou que o leitor digital pode enfrentar a concorrência com aparelhos mais avançados tecnologicamente. 

No entanto, antes do executivo da empresa, Jeff Bezos, comemorar, existem algumas advertências. 

Cuidado com lucros em queda

O Kindle 2 (o modelo de 6 polegadas, agora chamado apenas como Kindle) estreou em março de 2009 por 359 dólares. Alguns meses depois, esse preço foi reduzido para 259 dólares, e agora caiu para 189 dólares. A redução é comum para gadgets antigos, na verdade, ela é até esperada. E, enquanto a fabricante afirma que o preço de 189 dólares tem sido um “tipping point ", responsável por triplicar as vendas do produto, isso também significa que ela está recebendo menos 170 dólares em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Mesmo com o aumento de vendas é possível dizer que os lucros também aumentaram?

O valor de 189 dólares ainda é caro?

O Kindle pode parecer barato - principalmente se você foi um dos pioneiros -  mas o preço ainda pode ser muito inferior. Um estudo recente da Forrester Research sugere que os leitores digitais devem custar entre 50 e 99 dólares, caso queiram se tornar muito populares. 

A conclusão do estudo da Forrester? 

"A maioria dos consumidores não se importa o suficiente com a tecnologia a ponto de investir em um dispositivo para aplicação única. Se tiver de fazer isso, ela quer pagar um preço realista por tal produto".

Estatísticas de vendas desconhecidas

A Amazon disse que as vendas triplicaram desde que o preço foi reduzido. Mas a companhia ainda não divulgou números oficiais a respeito. Os dados ainda permanecem um mistério. 

Concordo que a empresa tem todo o direito, e motivos de sobra, para manter privadas as suas estatísticas de vendas. Mas se ela realmente quer mostrar que o Kindle está mantendo o ritmo de concorrência (a Apple, afinal de contas, anunciou recentemente que vendeu mais de 3 milhões de iPads, desde o lançamento em abril), por que não compartilhar esses números com o mundo?

Sobre o iPad

Não acho que o Kindle, de seis polegadas, precisa concorrer com a iPad para sobreviver. Com o atual preço, ele é significativamente mais barato do que o tablet da Apple e destinado à pessoas que querem apenas ler livros e periódicos. O verdadeiro concorrente seria o Kindle DX, que custa 379 dólares. 

E o Kindle não precisa inovar para sobreviver. O Kindle 2 apresentou algumas melhorias significativas desde a primeira geração, como desenho mais fino e uma tela melhorada. Além disso, está 20% mais rápido para virar a página, O que a Amazon necessita é de mais recursos, como touchscreen, para conseguir novos usuários, interessados e animados.

Cuidado com os smartphones

O iPad pode não ser a maior preocupação do Kindle, mas isso não significa que não há muita concorrência por aí. A Amazon lançou versões gratuitas de seu software Kindle para diferentes plataformas de smartphones,e, isto sim, pode canibalizar o mercado dedicado aos seus eReaders.

Com smartphones contando com telas maiores e melhores (como o HTC EVO 4G e o Motorola Droid X com displays de 4,3 polegadas), será ainda mais difícil convencer os usuários de que eles precisam de um leitor eletrônico e de um smartphone. 

Afinal, se você pode gastar 189 dólares em um produto para ler livros, ou 199 dólares em um dispositivo com recursos de leitura de livros, chamadas, navegação na Web em cores, GPS portátil, e muito mais, qual você escolheria?

Não que o futuro seja desolador. Eu acho que haverá um mercado de baixo custo dedicado aos leitores digitais. Mas, é preciso que a Amazon faça mais do que apenas reduzir os preços, caso realmente queira comemorar o sucesso do Kindle.

(Liane Cassavoy)

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