Google desafia governo e interrompe censura dos resultados de busca na China

Redação do IDG Now!
22 de março - 17h08 - Atualizada em 22 de março - 17h52
Google muda postura na China, direciona usuários para versão do buscador de Hong Kong e afirma que mantém equipes de pesquisa e comercial no país.

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O Google anunciou nesta segunda-feira (22/3) que parou de filtrar os resultados de busca para chineses, direcionando usuários do país para a versão do buscador em Hong Kong.

Em post no blog oficial, o responsável pelo departamento jurídico do Google, David Drummond, afirmou que, ao contrário do que se especulava, o buscador não sairá da China, mas exibirá resultados de busca considerados ofensivos pelo governo chinês.

"Hoje cedo paramos de censurar serviços de busca, como Google Search, Google News e Google Images, no Google.cn. Usários que visitarem o Google.cn estão sendo direcionados para o Google.com.hk, onde estamos oferecendo buscas não censuradas em chinês simplificado", afirma o post.

A decisão é desdobramento de anúncio feito em 12 de janeiro em que o buscador afirmava que estava repensando sua postura na China após ter descoberto evidências que ataques contra contas do Gmail de ativistas sociais estavam ligados ao governo chinês.

O buscador desafiou o governo a acabar com as censuras impostas em buscas feitas por intenautas chineses e ameaçou fechar sua operação chinesa.

Ainda que o governo chinês tenha sido claro quanto à impossibilidade de parar a censura do Google, o buscador afirma que a nova postura "é totalmente legal e aumentará consideravelmente o acesso a informações pelo povo da China", afirma o post.

Drummond afirmou que o Google pretende manter seu centro de pesquisa e desenvolvimento e equipes comerciais na China, ainda que admita que o tamanho da divisão comercial dependa da habilidade dos usuários acessarem o buscador de Hong Kong.

O governo chinês ainda não se pronunciou sobre o anúncio do Google.

O ataque que invadiu servidores do Google atingiram também mais 33 empresas, como Adobe, Symantec e Juniper Networks.

A análise do malware usado pelo ataque, que explorou uma brecha no Internet Explorer, da Microsoft, mostra que o código tem trechos encontrados apenas em sites chineses, o que sugere que o cracker saiba falar chinês.