De onde vem o apetite do Google por pequenas startups?
O Google é conhecido por grandes aquisições, como a do serviço de vídeos online YouTube em 2006 por US$ 1,65 bilhão ou a da empresa de publicidade online DoubleClick em 2007 por US$ 3,1 bilhões. Nos últimos meses, no entanto, a estratégia ganhou novo impulso, com 10 aquisições nos últimos oito meses.
Quem conhece um pouco da história do Google sabe que a compra de empresas faz parte de seu DNA. Em 2003, uma disputa por patentes de tecnologias de publicidade online levou à compra da Applied Semantics por US$ 102 milhões. Seus produtos foram integrados aos serviços de publicidade online AdSense e AdWords.
Mas, embora a estratégia por trás da compra de empresas como Applied Semantics e DoubleClick possa ser evidente, o mesmo não pode ser dito da série de pequenas aquisições que o Google tem feito nos últimos meses. O que, afinal, tem levado a empresa a garimpar aquisições em um ritmo mensal?
Motivações
Um levantamento feito pelo IDG Now! indica que podem haver pelo menos duas grandes motivações por trás desses investimentos. O primeiro e o mais compreensível é a busca por inovações que possam ser incorporadas aos produtos existentes. Ela aparenta ser a razão de oito entre dez aquisições feitas pelo Google desde agosto de 2009.
A outra motivação pode não saltar tanto aos olhos, mas é reveladora do modo como o Google sai à caça das fontes dessas inovações: é a assimilação de capital intelectual, incluindo engenheiros e fundadores, por meio do controle de pequenas startups. Esse pode ter sido o caso de pelo menos duas das aquisições registradas no mesmo período.
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Essa segunda razão explicaria os casos nos quais o produto da empresa adquirida foi simplesmente descontinuado. Foi o que ocorreu, por exemplo, com Gizmo5 e reMail. Os engenheiros das três empresas foram deslocados para projetos do Google.
Exceção
Uma das empresas engolidas pelo Google, a AppJet, também teve seu serviço – o EtherPad, um editor colaborativo na web – descontinuado. Porém, sua equipe foi destacada para colaborar no desenvolvimento do Google Wave, o que poderá levar a um ressurgimento do EtherPad (ou de uma variação dele) dentro do serviço online.
Na maioria das compras, o produto sobrevive como complemento ou extensão de um serviço maior – caso da reCAPTCHA, cuja tecnologia de captura de texto deverá ser aproveitada pelo Google Books.
Aquisições mais recentes, como o DocVerse e o Picnik, permanecem em operação, mas sem destino certo – o Google promete definir o futuro desses serviços nos próximos dias.
Confira abaixo a lista das dez últimas aquisições do Google, ordenada a partir da mais recente.
1.DocVerse
Compra: 5/3/2010
Valor estimado: US$ 25 milhões
A DocVerse produziu um plug-in que permite a edição em grupo, pela internet, de documentos do Microsoft Office – um complemento sob medida para a suíte de produtividade web GoogleDocs, pois cria uma ponte entre este aplicativo e um dos pacotes mais utilizados do mundo. A aquisição trouxe um bônus na forma de capital intelectual: seus fundadores, Shan Sinha e Alex DeNeui, são ex-funcionários da rival Microsoft.
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2.Picnik
Compra: 1/3/2010
Valor estimado: não divulgado
A Picnik mantém na web um elogiado serviço para edição de fotos online, útil para aplicar retoques, efeitos e recortes em imagens, sem complicação. Para o Google, o serviço complementa seu álbum de fotos web Picasa, que já tinha uma ferramenta de edição de fotos, só que para desktop. Segundo o Google, o serviço continuará a ser oferecido, mas a integração com outros produtos da empresa está a caminho.
3.reMail
Compra: 17/2/2010
Valor estimado: não divulgado
O interesse do Google por essa empresa é cercado de curiosidade. Afinal, a reMail produzia um aplicativo de envio e recebimento de e-mails para iPhone, rival do Android. No ato da compra, o aplicativo foi removido da App Store e seu suporte foi descontinuado. Duas semanas depois, o código-fonte do produto foi tornado público na internet. A empresa foi fundada por um ex-funcionário do Google, Gabor Cselle, que já havia trabalhado na equipe do Gmail.
4.Aardvark
Compra: 11/2/2010
Valor estimado: US$ 50 milhões
A Aardvark mantinha um serviço de ‘pesquisa social’ no qual um usuário publica uma pergunta e os amigos ou amigos dos amigos fornecem respostas. Não chegou a ser um fenômeno da web: em outubro de 2009, a empresa dizia ter apenas 90 mil usuários, 56% dos quais já tinham criado algum conteúdo. Mas dois de seus fundadores, Max Ventilla e Nathan Stoll, já tinham trabalhado para o Google. Com a aquisição, retornaram à empresa.
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5.AppJet
Compra: 4/12/2009
Valor estimado: não divulgado
A AppJet durou apenas três anos, mas fez fama com a criação do editor de documentos online EtherPad. Com a compra, o produto foi descontinuado, mas seu código-fonte foi publicado na internet e sobrevive por meio de outros sites, como o TypeWith.Me. Já a equipe da AppJet foi enviada à Austrália, para trabalhar no desenvolvimento do Google Wave.
6.Teracent
Compra: 23/11/2009
Valor estimado: não divulgado
A Teracent criou uma tecnologia capaz de exibir anúncios publicitários personalizados, de acordo com dados de localização (como país, período do dia e língua local) e do consumidor. A aquisição deu ao Google a possibilidade de usar essa tecnologia em seus anúncios.
7.Gizmo5
Compra: 12/11/2009
Valor estimado: US$ 30 milhões
A Gizmo5 produzia software para chamadas de voz entre celulares e computadores, com tecnologia VoIP. Com a compra, o serviço foi descontinuado. Os engenheiros da Gizmo5 foram integrados à equipe do Google Voice.
8.AdMob
Compra: 9/11/2009
Valor estimado: US$ 750 milhões
A AdMob era responsável por uma plataforma de publicação de anúncios em dispositivos móveis que se tornou especialmente popular no iPhone. Com a compra, a Google ganhou condições de criar anúncios multiplataforma, e as tecnologias da AdMob poderão receber outras inovações para melhorar a relevância e a efetividade de seus anúncios.
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9.reCAPTCHA
Compra: 16/9/2009
Valor estimado: não divulgado
A reCAPTCHA criou uma daquelas tecnologias de segurança que pedem ao usuário para digitar letras e números que aparecem de forma distorcida em um quadrado na tela. A diferença é que tais sinais provinham da digitalização de livros e jornais velhos - algo que interessou o Google. À época do fechamento do negócio, a empresa afirmou ter a intenção de usar essa tecnologia na digitalização de documentos para o Google Books e o Google News Archive.
10.On2 Technologies
Compra: 5/8/2009
Valor estimado: US$ 106,5 milhões
A On2 desenvolveu tecnologias de compressão de vídeo, e conquistou algumas patentes na área. Seus produtos permitem a exibição de vídeo de alta qualidade em desktops e aparelhos móveis, e pode ter aplicação tanto no serviço de vídeos YouTube quanto em sistemas de anúncios de vídeo para smartphones.