Nova classe média impulsionará venda de eletroeletrônicos no Brasil

Clayton Melo, do IDG Now!
08 de outubro - 14h00 - Atualizada em 08 de outubro - 14h08
Para economista da FGV, País ingressou em ciclo duradouro de expansão econômica, o que vai provocar reflexos no perfil de consumo.

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Depois de aproximadamente 25 anos sem crescimento, o Brasil ingressou numa rota de expansão econômica duradoura. Mais importante que apenas observar as expectativas de desenvolvimento nos negócios, no entanto, é ver que ela se dará a partir de um perfil diferente de consumidor, caracterizado especialmente por uma nova classe média - composta por pessoas originárias de camadas sociais mais simples - , o que terá impactos diretos no consumo.

Nesse contexto, o setor de eletroeletrônicos será particularmente beneficiado, avalia Marcos Fernandes Gonçalves, economista da Fundação Getúlio Vargas. Sua análise foi exposta hoje durante palestra na conferência anual da empresa de pesquisa GFK, em São Paulo.

"O mercado de eletroeletrônicos deve crescer 10% ao ano durante os próximos dez anos no País. Esse crescimento se dará especialmente sobre itens de bens inferiores de valor agregado, como aparelhos de DVD e TVs de tubo", afirma Gonçalves, referindo-se a equipamentos tecnológicos mais simples e de preço acessível a uma camada maior da população.

Sua projeção se baseia no fato de, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma massa de 110 milhões de pessoas  - vindas dos segmentos de baixa renda-  terem passado a integrar o que Gonçalves chama de "nova classe média".

"O aumento da classe C tem repercussão direta na área de eletroeletrônicos, pois se trata de um contigente da população que deseja consumir produtos de tecnologia, mas que só agora reúne condições de fazê-lo", analisa.

Embora também devam crescer, as vendas de equipamentos tecnologicamente mais avançados e de valor mais elevado, como aparelhos de tela fina, não devem ser o carro-chefe da explosão da de consumo, acredita Gonçalves. Isso porque a democratização econômica alcança primeiro os artigos mais populares, diz Gonçalves.