Romero Rodrigues detalha mudanças no Buscapé após compra pela Naspers
Por Guilherme Felitti, do IDG Now!
Publicada em 29 de setembro de 2009 às 12h23
Atualizada em 13 de outubro de 2009 às 13h31
Cofundador afirma que aquisição de 91% por US$ 342 milhões não mudará dia a dia do serviço, mas põe fim aos planos de emissão de ações em 2011.
A compra de 91% do Buscapé pelo conglomerado Naspers por 342 milhões de dólares não afetará o dia a dia da operação, garantiu o cofundador do serviço de comparação de preços, Romero Rodrigues, em entrevista nesta terça-feira (29/9).
Para Rodrigues, a principal mudança estará em seu papel – ao invés de reportar para um sócio majoritário em Boston, onde fica o fundo Great Hill Partners, responsável pelo aporte financeiro que permitiu a compra do rival BondFaro em maio de 2006, o executivo se reportará à sede do conglomerado de mídia sul-africano na Cidade do Cabo.
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Fontes próximas ao IDG Now! afirmam que a compra acontece na segunda negociação entre Naspers e Buscapé – no primeiro semestre de 2008, o grupo já havia se aproximado do serviço brasileiro, mas as negociações não avançaram.
Na época, o Buscapé mantinha negociações com outros potenciais compradores, como a Microsoft (que acabou comprando no mesmo ano o comparador europeu de preços Ciao, por 486 milhões de dólares) e a rede de varejo Wal-Mart.
A Naspers se reaproximou do Buscapé “entre maio e junho deste ano” e acabou concretizando o negócio, afirmam as fontes.
Após passar a madrugada acompanhando a divulgação da compra pela Naspers na abertura do mercado da África do Sul e comunicar aos funcionários a aquisição, Romero falou ao IDG Now!.
A Naspers ficou com 91% do Buscapé. Quem fica com os 9% restantes?
Os quatro fundadores que continuam no negócio (três do Buscapé mais Rodrigo Guarino, fundador do BondFaro) e opções de ações emitidas para cerca de 40 colaboradores da companhia, entre executivos, gerentes e engenheiros. A empresa tem a cultura de oferecer "stock options" após anos de contribuição.
O que muda no dia a dia do Buscapé com a compra?
Não haverá cortes. Uma coisa que nos atraiu na Naspers foi o estilo de trabalho. As operações compradas anteriormente (pela Naspers) continuaram independentes. No dia a dia da empresa nada vai ser alterado. Meu papel só muda um pouco - antes, tinha um acionista majoritário que ficava em Boston (o fundo de investimentos Great Hill Partners). Agora, o acionista fica na Cidade do Cabo.
Haverá integração do Buscapé com outras plataformas de comércio eletrônico da Naspers?
A empresa continuará independente, gerenciada de forma totalmente separada. Esperamos ter troca de "know how", já que somos avançados na comparação de preços e afiliados, enquanto eles (serviços como a Tradus, comprada em dezembro de 2007 por 1,9 bilhão de dólares) são bons em classificados.
Fontes do IDG Now! dizem que esta foi a segunda negociação entre Naspers e Buscapé. Você confirma?
É um namoro longo dos dois lados. Víamos interesse comum em alinhamento de cultura. Para os fundadores do Buscapé, é projeto bacana - vamos virar submarca de outra empresa e podemos ser a sessão de shopping de outro portal. Seremos a nave-mãe na região (América Latina). Como fundador, mais importante do que a questão financeira é perpetuar a marca e a empresa toda.
Com a compra, a emissão inicial de ações (IPO, da sigla em inglês) do Buscapé, planejada para 2011, acontecerá?
A ideia do IPO não faz muito sentido agora. Já temos sócio financeiro próprio. A Naspers, porém, já fez IPOs de outras empresas que comprou. A resposta mais sincera seria "isto não foi discutido ainda".
Outras fontes afirmam que a compra foi fechada no final de agosto, mas havia desacordo entre Buscapé e Naspers sobre quem pagaria as opções de ações reservadas aos colaboradores da empresa.
(Esta questão das opções de ações) não foi impedimento do mercado. Demos aos colaboradores a opção de exercer ou não seus "shares". Na prática, estes "shares" serão comprados pela Naspers quando ela adquiriu a empresa. Também se fosse o Buscapé quem devesse pagar isto não faria tanta diferença.
Os planos de internacionalização do Buscapé serão aprofundados?
A internacionalização continua, claro, com a vantagem de podermos nos dedicar a projetos mais longos. A beleza do acordo com um private equity é que podemos pensar em investimentos e produtos para não darem retorno em até 10 anos. A Naspers não vai sair do negócio em pouco tempo.
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