Polícia indicia programador que invadiu sistema da Telefônica
Por Guilherme Felitti, do IDG Now!
Publicada em 20 de agosto de 2009 às 10h58
Atualizada em 28 de outubro de 2009 às 20h31
Vinícius Camacho, conhecido na rede como KMax, pode ser punido com até quatro anos de prisão por roubo e divulgação indevida de informações.
A Polícia Civil de São Paulo indiciou na noite desta quarta-feira (19/8) o programador Vinícius Camacho, conhecido no ciberespaço como Vinícius KMax, por roubo e divulgação indevida de informações.
Segundo o delegado assistente da 4ª Delegacia de Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos, José Mariano de Araújo Filho, Vinícius invadiu um banco de dados da Telefônica e divulgou, em julho, as informações coletadas no sistema.
A investigação da delegacia, parte do Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado (Deic), conseguiu um mandado de busca e apreensão, usado na noite de quarta-feira.
Na ocasião, Vinícius confessou a invasão. Como não houve flagrante, o programador não foi preso, explica o delegado.
Além do indiciamento, policiais apreenderam na casa de Vinícius computadores e outros equipamentos que passarão por um processo de perícia. O objetivo é coletar provas contra o programador, diz Mariano.
O sistema de busca montado por Vinícius com as informações de clientes do serviço Speedy, da Telefônica, foi consultado pelo jornal O Estado de São Paulo no começo de julho, que confirmou a veracidade dos dados pessoais de alguns assinantes.
Para o veículo, Vinícius afirmou que acessou o banco de dados como forma de provar uma falha grave no site da operadora. A Telefônica não foi avisada pelo programador antes da criação do site independente com as informações pessoais.
Segundo Mariano, Vinícius foi indiciado pelo crime de divulgação de segredo, que consta no artigo 153 do Código Penal. Caso seja considerado culpado, pode ser condenado de um a quatro anos de detenção e pagamento de multa.
O programador pode ser ainda indiciado pelo roubo de comunidades na rede social Orkut promovido no começo de 2005.
Grupos como "Eu amo chocolate!", "Só mais 5 minutinhos..." e "The SimpsonsBrasil" foram assumidos por um usuário fictício que incentivava o uso do navegador Firefox, da Mozilla.
De acordo com o delegado, caso a perícia encontre provas materiais da participação de Vinícius no roubo de comunidades, o programador pode ser alvo de um novo indiciamento.
O programador também chamou atenção durante a primeira edição da Campus Party, quando, com um laptop, reprogramou um roteador usado no evento para proibir o acesso de alguns campuseiros a serviços do Google, como busca e YouTube.
A versão do programador
Em entrevista ao IDG Now!, Vinícius Camacho afirma que prestou um serviço gratuito à Telefônica e acusou a operadora de deturpar sua ação.
"É preciso definir o que é invasão. Como está se falando, parece que
entrei pra roubar e destruir. Descobri uma falha e, para provar que a
falha existe, criei uma prova de conceito", defende-se Camacho. Ele afirma não ter baixado nenhuma informação pessoal."
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