Veja 8 razões pelas quais a tecnologia sobrevive em meio à crise

Network World/EUA
18 de novembro - 07h05 - Atualizada em 15 de março - 15h06
Framingham - Mesmo com milhares de demissões anunciadas e balanços preocupantes, previsões mostram sobrevivência ao caos econômico.

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Tech_not_Dead_88.jpgA crise econômica global atinge todos os setores e chegou à tecnologia com o pedido de falência da rede de eletrônicos Circuit City e, claro, balanços negativos que já implicam em mais de 140 mil demissões anunciadas pelas empresas de TI.

Mesmo com previsões negativas de consultorias, muitos analistas mostram que a ‘saúde’ do mercado de tecnologia - incluindo hardware, software e serviços - será recuperada em 18 meses.

Confira abaixo um resumo das perspectivas divulgadas por analistas recentemente que, mesmo pessimistas, mostram que a TI ainda não morreu em meio à crise.

1. Mesmo que pouco, tecnologia cresce
Na semana passada, o IDC diminuiu suas projeções quanto aos gastos em TI para 2009, afirmando que os mesmos crescerão apenas 2,6%, ao invés dos 5,9% previstos anteriormente.

O Gartner também informou em outubro que, em um cenário pessimista, os gastos com TI crescerão só 2,3% em 2009 e que a indústria permanecerá estável.

“Esperamos uma recuperação gradual durante 2010, e em 2011 devemos retornar à normalidade”, disse o analista Stephen Minton, do IDC. Se a crise durar mais do que quatro trimestres, como muitos economistas prevêem, “o mercado de tecnologia ainda estará fraco em 2010, mas voltará ao normal em 2012”.
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2. Não é como na ‘bolha da internet’ de 2001
As piores previsões para a TI nos próximos 2 anos não são tão ruins às perspectivas que envolveram a 'bolha ponto com'.

“Os problemas econômicos mundiais impactam a tecnologia, mas a indústria não verá reduções dramáticas como na bolha da internet”, diz o Gartner em um documento.

A razão para tal é que “agora as empresas vêem a tecnologia para transformar seus negócios e adotam modelos operacionais mais enxutos, estando presente em todos os aspectos das corporações”, completa a consultoria.

Além disso, Minton, do IDC, diz que em 2001 as empresas tinham capacidade de dados não utilizada, excesso de banda na rede e aplicativos que não era integrados a favor da produtividade.

“Hoje, temos excesso em banda e grande uso de aplicativos, adquiridos de várias formas e integrados muito mais rapidamente às operações. Diferente de 2001, as empresas não estão cortando os gastos em TI - estão, na verdade, desistindo de novas iniciativas devido à crise”, diz Minton.

3. Ninguém desistirá de ter um celular
As pessoas podem perder seus trabalhos e sua casa, mas não se desconectarão dos celulares.

“Eu dormiria em meu carro antes de desistir de meu celular”, diz o analista do Yankee Group, Carl Howe. “As pessoas compram serviços, como banda larga, e dispositivos, como celulares, e se desempregados, precisarão deles mais do que nunca.”
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O Yankee Group diz que a demanda por serviços online irá superar os obstáculos a curto prazo impostos pela crise financeira global e voltará a crescer em 2012.

4. Notebooks ainda são populares
A demanda mundial por notebooks se manteve forte o ano todo. Isto pode mudar, contudo, devido à previsão de desaceleração na demanda de chips da Intel, conforme anúncio recente da fabricante.

Tanto o IDC quanto o Gartner apontaram para um crescimento de 15% na venda de computadores no terceiro trimestre deste ano, principalmente pela venda de notebooks - 55% do total.

Analistas sugerem que a maior demanda no Natal será por ultraportáteis de baixo custo. “As pessoas buscarão por produtos mais baratos, gastando menos que em 2007”, diz Minton.

5. Operadoras estão mais preparadas
Diferente do estouro da bolha ‘ponto com’ em 2001, as maiores operadoras dos Estados Unidos estão preparadas para o impacto, que será menor em 2009, graças à implementação de 3G, WiMax e outras redes de última geração.

“Estes investimentos são bilionários. Cerca de 70 bilhões de dólares serão investidos em redes pelas operadoras. Agora, prevemos diminuição de até 3 bilhões de dólares. Falamos de números com um dígito, não cortes gerais”, Howe diz.

A indústria de redes, porém, não ressurgirá das cinzas sem um arranhão. A Cisco, por exemplo, já sente os problemas - em outubro, suas vendas caíram 9%.
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6. Armazenamento de dados cresce nas recessões
Embora todos os segmentos do mercado de TI estejam mais fracos hoje do que há seis meses, alguns segmentos são mais fortes - e um deles é o armazenamento.

“O setor é relativamente estável pelo fato de as empresas estarem usando mais sua capacidade de armazenamento e vendo sua necessidade aumentar semanalmente. Isso não vai mudar, e não só para o hardware, mas softwares da área também”, explica Minton.

A EMC, por exemplo, teve crescimento de 13% em sua receita no terceiro trimestre deste ano, e projeta ganhos para o último trimestre.

7. Novas áreas em TI continuarão a emergir
Mesmo que mercados em desenvolvimento, como a China e América Latina, vejam suas economias desacelerarem, ainda há previsão de crescimento para 2009. A América Latina é uma área sólida para empresas como IBM, HP e Microsoft.

“Nos últimos três anos, a região teve as médias de crescimento mais altas em gastos com TI, e o Brasil é um dos maiores mercados, que cresce em dígitos duplos. Todos os mercados da região crescem mais de 10% ao ano”, conta Minton.
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Segundo o IDC, outros mercados em desenvolvimento que continuarão a crescer no próximo ano são a Europa Oriental e Central, o Oriente Médio e a África. As regiões ajudarão a compensar a queda nas vendas em TI dos EUA, Japão e Europa Ocidental.

A Forrester alerta, porém, para as empresas não contarem somente com os países do bloco formado por Brasil, Índia, Rússia e China (chamado de Bric) para lhes ajudar na crise. “Apesar de estarem melhores que os outros países, o Bric também sofre prejuízos. A China é o mercado mais forte, seguida pelo Brasil e México. A Rússia e a Índia estão enfraquecendo”, alerta Bartels.

Um dos problemas para as empresas de tecnologia é a valorização do dólar, o que significa que os vendedores dos EUA terão menos dólares de suas vendas no exterior ao fazer a conversão da moeda.

“Mesmo que uma empresa tenha sucesso no Brasil ou Rússia, terá menos dinheiro, o que não ocorreria há 6 meses”, afirma o analista da Forrester.

8. Terceirização ajuda a expandir
Esta área se beneficiará com a crise em 2008, já que “as empresas buscarão terceirização para cortar custos, criando uma tendência de busca de negócios de baixo custo em acordos terceirizados, mantendo modesto crescimento do setor”, afirma a Forrester Research.

Além disso, ao assinar um contrato de terceirização, dificilmente a empresa contratada sairá do negócio. “A receita com serviços de terceirização não irá variar”, afirma Bartels. Além disso, há o cloud computing no horizonte, que por um lado deve reduzir os gastos em TI e também em terceirização.

Carolyn Duffy Marsan, editora da Network World, de Framingham