Instabilidade força indústria brasileira a diminuir prazos de produção

Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!
07 de outubro - 16h43 - Atualizada em 15 de março - 13h27
São Paulo - Instabilidade financeira força fabricantes com operações nacionais a congelar compras de componentes e esquematizar estimativas semanais.

Notícias Relacionadas

O dólar alto decorrente da instabilidade econômica forçou não apenas um aumento nos preços de produtos de informática, como alterou a maneira como as companhias com operações nacionais planejam suas produções.

Segundo Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da consultoria IT Data, uma pesquisa informal com fabricantes nacionais apontou uma média de 15% no aumento dos preços do setor, com alguns produtos atingindo aumentos além dos 20%.

> Ouça: aumento do dólar atinge empresas no Brasil

A instabilidade da economia está forçando duas principais mudanças entre fabricantes com operações nacionais: a primeira é o cancelamento na encomenda de pedidos para novembro e dezembro, por não saberem por quais preços comprarão ou venderão os produtos, o que pode resultar em prejuízos.

O segundo desdobramento está no planejamento das produções - em vez de considerar números mensais, os fabricantes consultados pela IT Data estão refazendo seus cronogramas com bases semanais, de forma a reduzir potenciais impactos que a fabricação com altas taxas cambiais poderiam ter com a queda no valor do dólar.

O diretor relata casos em que fabricantes nacionais estão vendendo produtos com preços melhores do que as matérias-primas encomendadas para o próximo ciclo de fabricação.

Como principal conseqüência para o consumidor, Rodrigues volta a aconselhar consumidores interessados em comprar equipamentos de informática a correrem para as lojas antes que a reposição de componentes, fabricados fora ou montados com componentes importados, faça com que os preços também disparem.

"Se o dólar continuar neste patamar, todos os produtos subirão. Hoje, o fabricante tem uma margem muito reduzida e não consegue não repassar (o aumento) para o consumidor. É inegável que vai aumentar o preço e rápido. Não é para o final de ano, é para agora".

A visão de Rodrigues difere da de Antônio Evaldo Comune, da Fipe, que estima que, caso o dólar aumente além dos 2,20 reais atingidos nesta segunda-feira (06/10), os produtos aumentariam apenas no Natal.