Greve da Receita afeta pequenos e médios fabricantes de computadores
Por Daniela Moreira, editora assistente do IDG Now!
Publicada em 03 de abril de 2008 às 17h35
Atualizada em 03 de abril de 2008 às 18h33
São Paulo - Problemas com importação afetam a produção de fabricantes de menor porte. Paralisação pode ter impacto em produtos na prateleira.
Embora menos afetado que a indústria eletroeletrônica e de celulares, o mercado brasileiro de PCs também sente os efeitos da paralisação dos auditores da Receita Federal - que já dura 16 dias -, principalmente as empresas de menor porte.
A Kelow é uma das fabricantes que já sentiu no bolso os efeitos da greve. O faturamento da empresa em março foi apenas 30% do previsto. A companhia, que produz em média 15 mil PCs ao mês e possui cerca de 120 funcionários na linha de produção já dispensou temporariamente alguns empregados.
“Estamos parados há 15 dias. Isso desgasta o relacionamento com nossos parceiros de negócios”, relata Charles Argelazi, diretor de vendas da empresa. “É mais um elemento que favorece o contrabando, pois quem importa ilegalmente continua vendendo normalmente no mercado paralelo”, ele enfatiza.
“A greve vêm em um momento péssimo, pois o mercado estava aquecido”, observa Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da consultoria IT Data. Na opinião do analista, se a paralisação persistir, podem faltar produtos na prateleira.
Os grandes fabricantes, contudo, não estão sendo impactados pela greve, segundo Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). “Ninguém reclamou até agora”, assegura o porta-voz da indústria.
De acordo com o executivo, os fabricantes de PCs de grande porte possuem esquemas de desembaraço especiais – a Linha Azul e o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) –, que os deixam livres das alfândegas portuárias.
“O desembaraço é feito na fábrica, por um sistema que se comunica com a Receita e controla a entrada e saída de mercadorias da planta”, explica o presidente.
Ele admite, no entanto, que os fabricantes de menor porte podem estar sofrendo com a paralisação. “É uma realidade. O mercado paralelo sempre tem vantagem nessa hora”, diz Barbato.
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