Las Vegas – Em entrevista na CES 2008, o chairman e fundador da Microsoft fala sobre o futuro da empresa e de filantropia.
Momentos antes de fazer sua última apresentação na feira CES 2008 como chairman e Chief Software Architect da Microsoft, Bill Gates conversou com o editor do IDG News Service, Marc Ferranti, sobre seu legado como um inovador, os bastidores de alguns acordos anunciados esta semana na feira e os rumos da Microsoft. Confira a entrevista:
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Estamos acompanhando sua carreira há 30 anos. Em um determinado momento, pessoas disseram que Bill Gates era um mestre nos negócios, mas não realmente um inovador. Você pode apontar algumas inovações das quais se orgulha?
Gates: Acho que nos orgulhamos de ter feito o computador pessoal. Pegar o microcrocessador e criar uma indústria de software em torno dele era uma idéia maluca na época. Não havia indústria de software. A computação se restringia a grandes empresas, e o que fizemos em 1975, incluindo minha saída da universidade, significava que poderíamos criar uma indústria que dava poder às pessoas.
Nós podíamos buscar parceiros para construir o hardware. Deixaríamos que qualquer pessoa criasse softwares para o trabalho que fazíamos, e tudo o que temos feito, nestes últimos 30 anos, tem se relacionado àquela visão de computação pessoal. Fomos os primeiros a ter esta visão.
Agora estamos rompendo novas fronteiras. Estamos trazendo a TV, novas experiências educacionais e de saúde, a este dispositivo que traz às pessoas um caminho novo e mais rico. A indústria do PC e nossas inovações sobre ela são bastante amplas – não acredito que tenha havido algo com tanto impacto nos últimos 30 anos.
No ambiente de consumo, já que estamos na CES, você pode apontar algumas recentes inovações que a Microsoft deve impulsionar nos próximos anos?
Bem, os dólares gastos em jogos e no Xbox, nos Estados Unidos, são superiores aos gastos com o PS3, da Sony, e com o Wii, da Nintendo, juntos. De fato, isso ocorre por conta da inovação trazida pelo Xbox Live – conectar pessoas, permitir que os gamers se encontrem e incluir vídeos online. É uma quebra de barreiras real na forma de pensar até mesmo no futuro da TV.
Temos um milhão de pessoas usando nosso Mediaroom, que é TV distribuída pela internet. Empresas como AT&T e outras 19 operadoras de telefonia no mundo apostam nisso como o futuro. E faz sentido porque quando você pensa em notícias e as escolhe pelo Mediaroom, você vê o que lhe interessa e os anúncios são direcionados à você.
Mas ainda a muito o que fazer para tornar isso natural, unir estas peças e integrá-las. Somos a empresa que está trilhando o caminho – muito foco em negócios, mas foco suficiente no consumidor. Do maior fenômeno de games do mundo ao maior de instant messaging, alcançamos muito sucesso, que representa a inovação que inserimos em tudo isso.
Com o aumento da concorrência externa, a inovação vem ganhando mais importância entre as companhias norte-americanas. Como você avalia a ligação entre inovação e propriedade intelectual?
Bom, somos uma companhia sediada nos Estados Unidos, mas obviamente temos trazido talentos de engenharia de todo o mundo. Temos um grupo inacreditável de pesquisas na China, outro grupo inacreditável de pesquisas na Índia, e estamos entregando aos clientes em todo o mundo. E fazemos registros de propriedade intelectual em todos estes países. Eles estão em diferentes estágios em termos de registro de copyright, ou de patentes, o que costuma tornar esta área bastante complicada.
Outros países observam o que vem ocorrendo nos Estados Unidos e dizem que gostariam que seus profissionais tivessem as mesmas oportunidades, os mesmos sistemas de incentivos, o que gera um senso de progresso nisso. Este é apenas um dos elementos que asseguram que as pessoas assumam riscos e mantenham a inovação nesta indústria, que é mais rápida do que qualquer outra no mundo.
Aqui na CES 2008 você está falando sobre novas parcerias para os serviços MSN, Xbox Live e Mediaroom IPTV, que irão oferecer mais conteúdo para direcionar a estratégia de entretenimento de consumo da Microsoft. Você pode contar o que precisou fazer – tanto em tecnologia como no lado dos negócios – para que fechar estes acordos?
O XBox Live está atraindo virtualmente todas as pessoas de conteúdo por conta do volume que geramos, e eles observam estes usuários bastante engajados passando muitas horas e encontrando novas mídias naquele ambiente, o que facilitou nosso trabalho.
Nosso anúncio de aliança com a NBC nas Olimpíadas se trata das inovações no Silverlight, que permite visualizar conteúdo interativo e múltiplas distribuições de vídeo. Esta é uma combinação perfeita para as Olimpíadas, onde você tem diferentes conteúdos e ainda pessoas diferentes interessadas em partes distintas da competição.
Já que sua estratégia de entretenimento de consumo tem se estabelecido, como seu modelo de negócios irá se transformar? Você pode quantificar metas para a receita gerada com publicidade?
Temos visto um bom crescimento em nossa receita com publicidade. Esta é uma área onde o Google é o líder e precisamos ser bastante inovadores para ganhar escala. Uma grande parceria com a Viacom está nos ajudando nisso e estamos fechando mais alianças pelo mundo. O ganho de escala com a plataforma de publicidade é muito valioso para fatores como a base de buscas que oferecemos.
Nós participamos de uma série de modelos de negócios. Temos softwares de jogos que você adquire por tempo limitado, ou itens que você pode pagar mensalmente e rodamos em nossos servidores, mais na linha de software como serviço. Temos ainda alguns softwares oferecidos gratuitamente. Assim, os anúncios estão chegando como um grande e forte componente, mas ainda não os vejo substituindo os outros [modelos]. Precisamos fazer com que todas as modalidades se mantenham fortes.
Em seu trabalho filantrópico você se concentrou em questões de saúde fundamentais para o mundo em desenvolvimento. Na área de tecnologia, temos visto esforços como o da organização One Laptop Per Child e iniciativas da Microsoft para reduzir preços de softwares nos países emergentes. Mas há críticas em relação a estes projetos. Pessoas dizem que um laptop de 200 dólares não deve ser tão bom para uma criança com mais de cinco anos de idade. Com isto em mente, o que você acha que as empresas de tecnologia – que precisavam gerar lucros – podem fazer para incentivar o desenvolvimento em mercados emergentes?
As empresas contribuem tanto enviando dinheiro para regiões externas como também tendo os produtos de suas especialidades sendo manufaturados e doados a pessoas pobres.
No caso da Microsoft, nos envolvemos na instalação de PCs em bibliotecas. Fomos ao Chile e colocamos micros nas bibliotecas de lá. E instalando uma máquina realmente robusta conectada à internet, fazendo treinamentos, trabalhando com o governo e acertando todas as peças tornando estes projetos incrivelmente bem-sucedidos.
Assim como em minha Fundação a prioridade máxima é a saúde, a Microsoft o faz com software. Ela tem um produto, é o que a companhia conhece e é onde, em suas atividades pelo mundo, está ajudando educadores. Acho que é fantástico para a Microsoft fazer isso.
Estou absorvendo o sucesso que a Microsoft alcançou em colocando dezenas de bilhões disto em necessidades básicas onde as barreiras devem ser quebradas – onde vamos usar software, telefones móveis, coleta de dados como ferramentas.
Desejo que cada companhia faça tanto quando a Microsoft tem feito ao reunir sua experiência, observar o mundo em desenvolvimento e enxergar que papel deve exercer nele. Nós geramos grande impacto, grande sucesso e isso nos ajuda a atrair funcionários melhores. Isso faz com que nossos profissionais sintam-se bem porque fomos fundados com a idéia de aprimoramento. Não estamos apenas falando disso, estamos lá fora em uma centena de países oferecendo isso de uma forma significativa.