Mercado brasileiro de TI crescerá três vezes mais que mundial, diz MCT
Por Redação do IDG Now!*
Publicada em 20 de dezembro de 2007 às 07h44
Atualizada em 27 de dezembro de 2007 às 10h03
São Paulo - Apesar do potencial de expansão, cada vez menos jovens se interessam pelo setor, diz presidente da Sociedade Brasileira de Computação.
O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) estima o crescimento da área de tecnologia da informação (TI) no país em 10% ao ano na próxima década, contra 3% no resto do mundo. Apesar de todo o potencial de expansão, cada vez menos jovens se interessam pelo setor, que já carece de profissionais qualificados.
A constatação foi feita por José Carlos Maldonado, presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), na terça-feira (18/12), durante o seminário Pensa TICs 2007 – Rumo à estratégia nacional em TICs, promovido em São Paulo pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
De acordo com Maldonado, que é professor do Departamento de Ciências da Computação e Estatística da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, a formação de recursos humanos está entre as principais preocupações da SBC. O MCT estima que o setor, a médio prazo, terá um déficit de 3 milhões de profissionais.
Apesar do esvaziamento nos cursos de graduação, o Brasil tem hoje 51 programas e 66 cursos de pós-graduação na área de ciência da computação, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação. De acordo com Maldonado, a cifra indica um crescimento de 200% nos últimos dez anos.
“O problema é que o decréscimo na demanda pelos cursos de graduação se reflete também na pós. Alguns cursos de mestrado estão prestes a fechar as portas por falta de demanda”, disse o professor, que também é um dos coordenadores da área de computação na Fapesp.
Embora a pós-graduação tenha crescido expressivamente, o Brasil forma apenas cerca de cem doutores por ano na área de TI. “Não me parece um número razoável. O quadro piora quando constatamos que esses poucos doutores se concentram fortemente em poucos estados. O resultado é que, na graduação, há poucos professores com doutorado, o que resulta em cursos de pouca qualidade”, afirmou.
A SBC identificou a necessidade de uma ação política e educacional ampla, capaz de restituir o interesse no setor. Segundo Maldonado, a área de TI tem potencial social imenso e papel fundamental na economia, inclusive por renovar outros setores tradicionais.
“Nosso papel é mostrar aos jovens que a área tem diversas oportunidades – ninguém está sem emprego em TI – e que, além disso, ela tem uma profunda relevância social”, disse.
O setor é considerado estratégico dentro do plano de ação do Ministério da Ciência e Tecnologia para o período 2007-2010, conhecido como PAC da C&T. “A formação de recursos humanos é uma das prioridades. Precisamos estudar agora que medidas efetivas podem ser tomadas”, afirmou Maldonado.
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