Entrevista: Francês quer bater recorde mundial em salto de pára-quedas
Por Peter Moon especial para o IDG Now!
Publicada em 10 de outubro de 2007 às 07h15
Atualizada em 10 de outubro de 2007 às 14h18
São Paulo - Pára-quedista Michel Fournier quer bater recorde mundial saltando de 40 km de altitude e quebrar a barreira do som com o corpo.
“É muito perigoso. Ele está correndo um risco muito grande. O risco de vida que o Michel vai correr é enorme”. É assim que o brasileiro Ricardo Varela Correa define a façanha que será tentada pelo seu amigo, o pára-quedista francês Michel Fournier. Este coronel reformado concorreu nos anos 70 entre 100 membros da elite das forças armadas francesas para uma das três vagas da tripulação de astronautas que pilotariam o avião espacial Hermès (1977-1993).
Veja ainda:
> Fotos: Pára-quedismo estratosférico
Com o fim da União Soviética e o término da Guerra Fria, entretanto, o projeto foi engavetado. Mas o sonho de Michel Fournier em subir ao espaço, não.
Foi assim que, em meados dos anos 90, ele teve a idéia de treinar para bater o recorde mundial de altitude em salto de pára-quedas. Não se trata de um desafio trivial. Muito pelo contrário. Basta lembrar que o recorde atual não tem nada de novo. Foi estabelecido há 47 anos, em 16 de agosto de 1960, pelo piloto de teste da Força Aérea dos Estados Unidos, Joe Kittinger.
Vestindo uma roupa pressurizada, Kittinger embarcou na gôndola de um balão estratosférico para subir até vertiginosos 31.333 metros de altitude sobre o deserto do Novo México - 20 quilômetros acima dos aviões de carreira – e se jogou lá de cima. Na maior queda livre jamais realizada por um ser humano, Kittinger atingiu a velocidade máxima de 988 km/h antes de abrir seu pára-quedas, tocando o solo 14 minutos depois do salto no vazio estratosférico.
Fournier quer ir bem mais alto. Seu grande salto está programado para acontecer durante o amanhecer entre os dias 20 e 30 de maio de 2008, sobre as vastas planícies da Província de Saskatchewan, no centro do Canadá. “Vou levar uma hora e meia para me equipar. A seguir, vou respirar oxigênio puro ao longo de quatro horas”, revelou este aventureiro de 63 anos nesta entrevista exclusiva. “Nesse meio tempo, a equipe irá preparar os equipamentos e inflar o balão. Aí virá a decolagem e mais de duas horas de ascensão até o teto para o salto, a 40 mil metros de altitude”.
Nessa altura, a temperatura é de 20 graus negativos e a densidade atmosférica 99% menor que ao nível do mar. Em outras palavras, não existirá resistência atmosférica para que Fournier possa planar, deslocando-se para um lado ou para o outro. Ele despencará feito uma bala de canhão.
“Atingidos os 40 mil metros, eu pulo. Passados 30 segundos, vou quebrar a barreira do som (1.067 km/h naquela altitude) e, 51 segundos depois, vou atingir a velocidade máxima de 1.500 km/h, ou MACH 1.5”, comenta Fournier com uma certeza assombrosa (sobre a quebra da barreira do som, que completa 60 anos no dia 14 de outubro, leia entrevista exclusiva com o piloto Chuck Yeager).
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