Alta do dólar pode afetar preços de PCs e eletrônicos em longo prazo
Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 16 de agosto de 2007 às 18h51
Atualizada em 16 de agosto de 2007 às 18h55
São Paulo - Especialistas apontam que se o dólar se estabilizar em um patamar mais alto, os preços vão aumentar nas prateleiras.
Os efeitos da valorização do dólar, que fechou quinta-feira (16/08) cotado a 2,098 reais - uma valorização de 11% desde a quinta-feira da semana passada -, não serão sentidos de imediato pela indústria nacional de computadores e eletrônicos de consumo, mas podem afetar os preços caso a moeda norte-americana se estabilize em um patamar mais elevado, segundo analistas de mercado e representantes da indústria.
“Os homens de decisão vão aguardar para tomar medidas”, afirma Humberto Barbato Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Segundo o representante da indústria, os fabricantes podem atrasar em duas ou três semanas as compras de componentes importados - que estão mais caros no momento - sem prejuízos, mas se o dólar se estabilizar no patamar atual, os preços de prateleira dos produtos finais devem ser reajustados.
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“É provável que a variação não seja plenamente repassada. Mas é uma valorização importante e, se ela se consolidar, serão necessários reajustes de preços”, afirmou Barbato. Na opinião do executivo, os efeitos devem ser sentidos em um prazo de 20 a 30 dias.
O diagnóstico do analista sênior da IDC, Reinaldo Sakis, é similar. Para ele, um aumento no patamar de negociação da moeda acima de 2,10 reais deve se refletir em preços maiores para o mercado de PCs, mas não imediatamente. “Os componentes dos produtos que estão chegando às lojas agora já foram comprados há mais de 60 dias”, aponta.
Para o especialista, se o dólar se estabilizar em um novo patamar, acima do anterior, os efeitos só devem ser sentidos no primeiro trimestre de 2008, uma vez que fabricantes e lojistas já estão trabalhando com estoques para as vendas de Natal. “Se os preços forem alterados antes, é por especulação”, opina ele.
Menos otimista, Ivair Rodrigues, diretor da consultoria IT Data, acredita que se a valorização se mantiver, os efeitos poderão ser sentidos nas lojas em no máximo 30 dias. “A margem de lucro dos fabricantes de PCs é de 5%. Qualquer variação nos preços dos componentes é fatal, não dá pra absorver”.
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As indústrias mais afetadas pela valorização do dólar são aquelas que dependem de componentes importados - como a de computadores pessoais e eletrônicos de consumo. Os setores exportadores - como de celular e monitores - podem vir a se beneficiar, tornando seus produtos mais competitivos, mas apenas se a valorização for acentuada e permanecer estável.
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