Linus Torvalds: Microsoft é irrelevante
Por Peter Moon, para o Computerworld.
Publicada em 09 de agosto de 2007 às 09h05
Atualizada em 12 de setembro de 2007 às 15h11
CW – Você colabora na divulgação do Linux e do software livre?
– Não, realmente. Não sou um divulgador, um cara de tecnologia. No que me concerne, a beleza do código aberto está no fato de diferentes grupos poderem trabalhar nas partes que acreditam ser importantes, e isto é mais do que apenas tecnologia – trata-se de documentação, promoção, empacotamento, distribuição, ensino, etc.
Nações e governos têm as suas próprias metas e agendas, e o código aberto é um meio excelente de conseguir várias coisas: independência tecnológica (ou “co-dependência” – não se fica totalmente dependente de um único fornecedor ou de um ouro país que não seja confiável) e ter a certeza de que existe grande volume de manuais para entender a tecnologia.
Eu aprecio como o código aberto possibilita coisas assim, mas pessoalmente acabo me preocupando apenas com a tecnologia. Outros se preocupam e trabalham com os aspectos que consideram relevantes, e o resultado final (novamente) é uma infra-estrutura azeitada ao invés da visão de uma única pessoa ou empresa do que deve ser feito.
CW – O setor privado não está adotando o Linux e o software livre tão rápido quanto esperado. Por que será que tantas empresas ainda têm um pé atrás com relação ao uso do software livre?
– Na verdade eu acho que o ritmo de adoção é bastante elevado, mas o que as pessoas de vez em quando não percebem é que existe uma enorme inércia na troca de sistemas operacionais. A Microsoft possui uma grande vantagem só graças à base histórica instalada. E nos servidores maiores, ainda continuam rodando UNIX. Essas coisas não levam um ano ou dois. São necessárias uma ou duas décadas. Tenho a vantagem de ter visto o Linux se desenvolver (e ser aos poucos adotado) nos últimos 16 anos, enquanto muitos outros usuários só olharam para os últimos anos – e creia em mim, caminhamos um longo percurso nesses 16 anos. O caminho à frente ainda é longo? Lógico. Existem inúmeras questões relacionadas à tecnologia e à infra-estrutura, assim como à percepção humana, que ainda precisam ser vencidas.
CW - A Microsoft declarou recentemente que programas livres como o Linux, o OpenOffice e alguns softwares de e-mail violam 235 das suas patentes. Mas a empresa afirmou que não irá processá-los, pelo menos por enquanto... Esta é a ponta do iceberg de um novo pesadelo legal?
– Eu acho que este é mais um tiro na guerra do “FUD” (fear, uncertainty e doubt, ou medo, incerteza e dúvida, termo usado em qualquer estratégia voltada para causar insegurança nos consumidores de uma empresa com relação aos seus produtos). A Microsoft está passando por um mau bocado competindo pelo mérito tecnológico, daí tradicionalmente eles procuram concorrer no preço, mas obviamente esta estratégia também não funciona, não contra o código livre. Assim, continuam empurrando pacotes e vivendo da inércia do mercado, mas eles procuram alimentar a inércia com o FUD.
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