Linus Torvalds: Microsoft é irrelevante
São Paulo - Criador do Linux e do conceito do código aberto falou com exclusividade ao Computerworld.
O finlandês tinha apenas 22 anos quando, em 1991, decidiu compartilhar com amigos e programadores o sistema operacional que havia criado: o Linux. Aquele estudante de ciência da computação da Universidade de Helsinque não imaginava a reviravolta que aquela decisão iria deslanchar no mundo da TI. Nesta entrevista exclusiva feita por e-mail, o guru da comunidade do Software Livre revela as razões que o levaram a abrir seu código-fonte, afirma que a Microsoft é irrelevante e que o futuro pertence ao Código Aberto.
Computerworld – O que pretendia quando liberou o Linux pela primeira vez ao público em 1991? Foi por dinheiro?
– Certamente não foi por dinheiro, já que o copyright original era muito específico com relação a isso. Não era a GPLv2 (General Public License versão 2, a licença usada pelo sistema operacional livre GNU/Linux), mas a minha própria licença: “não custa dinheiro algum, mas você é obrigado a devolver o seu código-fonte”.
CW – Então foi por fama ou por diversão? Você imaginava a revolução que iria desencadear?
- Não, jamais pensei que o Linux se tornaria tão grande e popular como é hoje, por isso também não foi pela fama. Gostaria de dizer que foi por diversão, e essa é provavelmente a definição mais próxima da verdade, mas seria mais apropriado explicar porque eu gostaria que tivesse sido por diversão. O release propriamente dito não foi algo particularmente divertido, mas o que no fundo eu estava atrás era de feedback e de comentários.
Quando liberei o Linux no outono de 91 (mais precisamente, em 17 de setembro de 1991), eu já vinha programando ao longo de uma boa parte da minha vida, e o fazia por diversão. Mas costumava ter um grande problema programando, qual seja encontrar algo que me empolgasse. Produzi alguns games, mas no fundo nunca me interessei muito em jogar games, portanto na maior parte do tempo eu estava procurando algo interessante, um projeto que fosse relevante para mim, por isso continuei programando.
É nesse ponto que aconteceu o “release público”. Eu esperava que as pessoas me contassem o que achavam que precisava de aprimoramento e o que era bom, tornando assim o projeto mais interessante para mim. Se eu não o tivesse tornado público, provavelmente teria continuado a usá-lo eu mesmo, e acabaria por procurar um novo projeto no qual trabalhar. Mas o que aconteceu foi maravilhoso. Estou trabalhando com o Linux há 16 anos e ele ainda me empolga, exatamente porque o tornei disponível ao público e pedi seu feedback.
Só a título de uma nota de rodapé: o “release público” aconteceu em parte porque era a coisa mais natural a fazer. Exatamente porque eu jamais planejei fazer um release comercial – não foi por isso que comecei a trabalhar no Linux nem é o tipo de coisa que me empolga – e porque usava programas de código-fonte aberto, era a coisa mais natural a fazer. Por tudo isso, não foi de fato uma grande decisão. Havia uns conhecidos que estavam interessados em sistemas operacionais, portanto torná-lo público era o mais óbvio a fazer.
Outros destaques do IDG Now!:
> Fotos: novo iMac é feito de vidro e alumínio
> Dono da Claro é o homem mais rico do mundo
> 10 objetos tecnológicos de desejo
> 5 dicas para melhorar suas fotos digitais
> Confira imagens inusitadas da Terra
> Produtos ecologicamente corretos
CW – Como é que o Linux enquanto produto foi beneficiado pelo release?
– Bom, muito claramente, caso não o tivesse tornado público, teria sido apenas mais um dos meus pequenos projetos, sendo usado nas minhas máquinas, mas eventualmente teria sido deixado de lado sob um argumento do tipo: “é uma projeto bacana, mas deixa eu ver o que mais posso fazer”. O Linux não teria ido a lugar algum não fosse a abertura do código-fonte.
CONTEÚDO RELACIONADO:
- Entrevista: Bertrand Piccard explica volta ao mundo em avião com energia solar
- Chuck Yeager: “Por que nós iríamos querer ir até Marte?”
- Torvalds rebate críticas da comunidade por desempenho do Linux no desktop
- Qual é o futuro da web, segundo Tim Berners-Lee
- Steve Wozniak: a era do computador não acabou
- Lawrence Lessig: quem é o dono do conteúdo na internet?
- Vernor Vinge: máquinas vão ultrapassar inteligência humana depois de 2020
- Nathan Myhrvold, o devorador de patentes, não quer ser temido pela indústria
- "Por favor, não chame o GNU de Linux", pede Richard Stallman
- CTO da Intel: Adeus eletrônica, vem aí a spintrônica
IDG NOW! BUSCA:
Links patrocinados
ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO IDG NOW!:
- Podcast detalha mudanças do Firefox 3 e dá dicas para usuários
- Dell começa a cobrar por downgrade do Windows Vista para o XP
- Veja os equipamentos de segurança que serão lançados na InterSecurity
- T-Mobile lança iPhone 3G por 1 euro
- Apple lança SproutCore para concorrer com Flash e Silverlight
- Microsoft pode ser excluída de licitações governamentais por má conduta
10%
foi a queda no preço das ações do Yahoo ontem (12/06), após anúncio de parceria em publicidade com Google.
Conteúdo especial produzido e atualizado por empresas parceiras do IDG Now!
Links patrocinados
15 histórias de tecnologia
Confira 15 momentos marcantes que mudaram os rumos da história da computação.
Yahoo x Microsoft
Yahoo desiste da Microsoft e se alia ao Google em buscas. Veja a cobertura do IDG Now!
IDG Now! no seu site
Widgets levam notícias, podcasts e fotos mais recentes do IDG Now! para seu blog.
Os 50 visionários de TI
Sem estes 50 inovadores, as tecnologias que usamos hoje não existiriam. Veja a lista.
De quem é a culpa?
É possível controlar conteúdos gerados por terceiros na internet? Por Stelleo Tolda
Você já pode ler as últimas notícias do IDG Now!, em qualquer lugar e qualquer momento, usando seu celular para entrar no IDG Now! WAP.
Links patrocinados

CIO IT FOCUS GOIÂNIA - Castro's Park Hotel
BEST PRACTICES VIRTUALIZAÇÃO
CIO IT FOCUS BELO HORIZONTE - Mercure















