Nathan Myhrvold, o devorador de patentes, não quer ser temido pela indústria
Por Peter Moon, especial para o IDG Now!
Publicada em 04 de julho de 2007 às 07h00
Atualizada em 14 de agosto de 2007 às 08h00
Era tudo tão ridículo que qualquer um que assistisse aquilo ficaria convencido que jamais teríamos PCs nas nossas cozinhas. Outra coisa engraçada era um enorme painel de controle aonde o marido podia acessar as notícias diárias. Ao girar grandes botões ele consultava a previsão do tempo e a imprimia – essencialmente o mesmo cenário atual, apenas que hoje isso é feito via PC.
Como imaginava o futuro na década de 60? Sonhava em ser astronauta igual a todos os garotos da vizinhança?
Sempre imaginei um mundo onde a tecnologia tinha um papel muito mais importante do que nos anos 60. Imaginava um futuro onde computadores, robôs e máquinas inteligentes colaborariam para tirar das pessoas o peso de tarefas administrativas enfadonhas. Quanto a ser um astronauta, eu não estava interessado, mas definitivamente eu queria ser um cientista. Tinha interesse pelo espaço exterior, mas sempre pensei nos astronautas como pilotos. Eu queria ser um passageiro.
Você se doutorou em matemática e física teórica com 23 anos e seguiu para o pós-doutorado com Stephen Hawking. Quando e por que decidiu abandonar a vida acadêmica para virar executivo?
Eu gostava de quase todas as áreas da ciência até receber o meu PhD. Não estudei computação formalmente, e acreditava que permaneceria na universidade. Em 1984, entretanto, iniciei um projeto de software com uns amigos onde desenvolvemos um produto com potencial comercial. Foi através daquela experiência que acidentalmente me percebi conversando com investidores de risco e me envolvendo no lado empreendedor dos negócios. A partir daquele momento, eu tinha sido fisgado.
Como foi a sua experiência na Dynamical Systems e por que decidiu vendê-la para a Microsoft em 1986?
Na Dynamical Systems nós criamos um programa – um sistema operacional – que permitia aos cientistas manipular equações num PC da mesma forma que os editores de texto manipulam palavras. Naqueles dias, conseguir investimento de capital de risco era difícil, daí os meus sócios e eu decidirmos que o melhor caminho seria tentar influenciar a revolução do PC partindo de dentro dela, ao invés de por nossa própria conta. Tínhamos razão.
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