Brasil cria tecnologia que reduz custo de produção de satélites
Por Redação do Computerworld*
Publicada em 15 de junho de 2007 às 12h45
Atualizada em 15 de junho de 2007 às 12h59
Brasília - Agência Espacial Brasileira apresenta tecnologia que poderá reduzir em até dois terços os custo de fabricação dos satélites nacionais.
O Brasil está próximo de desenvolver uma tecnologia que vai baratear e tornar mais rápida a fabricação dos satélites nacionais. A Agência Espacial Brasileira (AEB) apresentou ontem as ações de elaboração de um módulo espacial que permitirá a construção de diversos satélites a partir de uma estrutura comum.
Com capacidade para sustentar até 280 quilos e voar em órbitas de altitude entre 600 e 1,2 mil quilômetros, o módulo é chamado de Plataforma Multimissão (PMM). Comparada ao chassi do satélite, essa plataforma cabe em vários tipos de foguetes lançadores e serve como base para os tipos mais variados de carga – seja uma câmera para monitorar os desmatamentos na Amazônia ou um equipamento para fazer previsões meteorológicas.
“A principal vantagem da plataforma será trazer versatilidade aos satélites brasileiros”, apontou o engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Mário Quintino, coordenador do Projeto Plataforma Multimissão. Segundo ele, outra melhoria trazida pela PMM será a redução de custos na fabricação de satélites, já que o novo módulo será sempre o mesmo, independentemente da carga acoplada a ele.
O engenheiro acrescentou que essa tecnologia é essencial para trazer agilidade ao programa espacial brasileiro, que pretende lançar um satélite por ano de 2010 a 2020. “Como a plataforma é desenvolvida separadamente em relação à carga, o satélite nacional se torna mais competitivo”, ressalta. Segundo ele, os satélites produzidos com a PMM podem ficar até dois terços mais baratos.
Entre as funções da plataforma estão a propulsão, o controle de altitude e a sustentação dos painéis solares que fornecem energia para o satélite.Do tamanho de uma caixa com um metro de largura, a primeira PMM está prevista para ficar pronta em 2009.
Desenvolvido pelo Inpe, em conjunto com indústrias e com o apoio da AEB, o protótipo da plataforma, disse Quintino, custará 45 milhões de dólares. Depois de pronta, esse custo será reduzido a um terço.
Ele informou que o satélite Amazônia 1, que deverá ser lançado em 2010 e servirá para monitorar a ação do homem na floresta amazônica, contará com a PMM: “Os novos satélites estão sendo desenvolvidos de acordo com as necessidades do País e o combate ao desmatamento na Amazônia é uma de nossas prioridades”.
A plataforma também será utilizada para carregar um radar que será acoplado a um satélite, projetado em conjunto pelo Brasil e pela Alemanha, que também atuará na vigilância da Amazônia. Diferentemente dos satélites fotográficos, que só conseguem registrar imagens de dia e com o céu limpo, o radar permite monitorar a floresta durante 24 horas. “Em testes com o radar pendurado em um avião, conseguimos detectar até uma mancha de óleo na água durante a noite”, destacou.
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