Maior máquina do planeta vai recriar condições semelhantes após Big Bang
Por Peter Moon especial para o IDG Now!
Publicada em 04 de junho de 2007 às 07h00
Atualizada em 12 de novembro de 2007 às 20h57
A ciência brasileira participa do LHC por meio de uns 30 pesquisadores de sete grupos de pesquisa espalhados distribuídos entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (UNESP), o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).
O físico Alberto Santoro, 65, do Instituto de Física da UERJ, é um destes profissionais. Ele chefia um time de 15 pesquisadores do Departamento de Física Nuclear e Altas Energias daquela instituição. Eu o conheci em 1997, quando visitei o Fermilab, distante 50 quilômetros de Chicago. O Fermilab é o maior acelerador de partículas dos EUA e do mundo, posto que irá perder no instante em ligarem o LHC, pois o equipamento americano é capaz de acelerar partículas até uma energia de 2 TeV (teraeléetron-volts, ou trilhões de elétron-volts), enquanto o europeu vai a 14 TeV. Esse aumento de aumento de energia é condição sine qua non para a violência das colisões de hádrons façam surgir as novas partículas.
Alberto Santoro trabalhou no Fermilab desde 1984 e agora no LHS irá realizar seus estudos exclusivamente no experimento CMS (Compact Muon Solenoid). “O CMS e o ATLAS são detectores de espectro geral. Eles fazem uma varredura de todo o espectro da física de partículas”, diz o brasileiro. “Já o ALICE é focado na física de plasma, e o LHCb na física de bótons. Nosso foco de pesquisas é estudar as propriedades difrativas das partículas, algo pouquíssimo conhecido experimentalmente”.
Perguntei a ele o porquê desta fixação dos físicos no elusivo bóson de Higgs, já que o LHC vai poder desvendar uma quantidade enorme de dúvidas da ciência. “O Higgs é uma questão que foi pegando ao longo dos anos. Mas do ponto de vista científico existem coisas tão interessantes quanto ele e para as quais não existe resultado, até porque os aceleradores atuais não permitem seu estudo”.
Santoro, como todo pesquisador brasileiro, se queixa com razão da escassez de financiamento à pesquisa no País. “É ridículo. Até hoje não conseguimos uma estabilidade no financiamento. Meu grupo recebeu uma primeira parcela de 70 mil dólares da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) em setembro de 2006. Da segunda parcela, ainda não saiu nada”. O físico salienta que o dinheiro é usado para pagar o transporte, estadia, alimentação e material de escritório dos pesquisadores em Genebra. O total de recursos para o conjunto de pesquisadores brasileiros ligados ao LHC é de cerca de 1 milhão de dólares, informa Santoro.
“Esta instabilidade gera mil problemas. Ficamos desmoralizados. O tempo todo o pessoal lá no CERN pergunta: mas cadê aquela verba prometida pelo governo. A resposta padrão é: estamos esperando...”, desabafa o cientista.
Enquanto isso, em março de 2006, o governo brasileiro gastou 20 milhões de dólares para comprar uma passagem num foguete russo e mandou o astronauta brasileiro Marcos Pontes fazer turismo na Estação Espacial Internacional. Tudo isso para depois o “herói” bater-papo ao vivo em rede nacional de televisão com o presidente Lula. Cada país têm a ciência que merece. Ou melhor, o governo que merece...
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