Maior máquina do planeta vai recriar condições semelhantes após Big Bang
Por Peter Moon especial para o IDG Now!
Publicada em 04 de junho de 2007 às 07h00
Atualizada em 12 de novembro de 2007 às 20h57
É no meio destes escombros que os cientistas esperam encontrar, vasculhando uma agulha num palheiro, evidências que comprovem propriedades da matéria ainda só previstas em teoria, como a supersimetria de partículas, novos estados da matéria e - acredite se quiser - a possibilidade da criação de mini buracos negros – previstos em teoria por ninguém menos que o físico inglês Stephen Hawking. Exatamente, versões diminutas daqueles monstros cósmicos engolidores de estrelas e dos quais nada escapa, nem mesmo a luz.
Mas o Santo Graal que se sonha encontrar com a graça do LHC é o bóson de Higgs, única partícula ainda não foi observada do modelo standard da Mecânica Quântica, o conjunto de leis que explica o funcionamento do universo em seu nível mais elementar, o subatômico.
Teorizado em 1964 pelo físico britânico Peter Higgs, o bóson que leva seu nome teria um papel fundamental para explicar a origem da massa. Em outras palavras, ele explicaria porque os átomos que formam o seu corpo e o meu se agregam para formar nossas massas, e porque o mesmo não acontece com um fóton de luz. O bóson, diga-se de passagem, é um tipo específico de partícula que, ao lado dos férmions (que são os quarks que formam prótons e nêutrons), faz parte da família dos hádrons, daí o nome do acelerador: Grande Colisor de Hádrons. Um exemplo de hádron é o pion – descoberto pelo brasileiro Cesar Lattes em 1947.
Outra partícula hipotética que pode pipocar de dentro da panela de pressão do CERN é o gráviton. Pura e simplesmente, ele seria o responsável pela transmissão da força da gravidade, aquela que nos prende a Terra e que a faz girar em torno do Sol, ao mesmo tempo em que obriga este último a viajar em torno do centro de uma galáxia em espiral a que damos o nome de Via Láctea.
Para tentar ver surgir estas partículas, a esperança é que o LHC, cuja construção levou dez anos, entre em operação em setembro. Ao longo de seu túnel estão instalados quatro experimentos, quatro detectores com a altura de um edifício de cinco andares e cada um com milhares de toneladas. São eles o CMS, o ATLAS, o ALICE (A Large Íon Collider Experiment) e o LHCb (Large Hadron Collider beauty).
O Large Hadron Collider irá trabalhar 24 horas por dia, gerando a cada segundo cerca de 40 milhões de colisões de átomos. Como elas deverão ser analisadas a exaustão, isso irá gerar uma montanha anual de dados equivalente a 15 Petabytes (15 milhões de Gigabytes), ou seja, uma pilha de CDs de dados com 20 quilômetros de altura. Para processar tudo isso, foi criada a rede mundial LHC Computing Grid (LCG). São algo como 25 mil servidores processando em grade (a chamada grid computing), espalhados por mais de 90 instituições ao redor do globo. Duas estão no Brasil, uma na UNESP e a outra na UERJ, cada qual contando com cerca de 230 CPUs.
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