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09 de julho de 2009
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Biotecnologia

Cientistas decifram genoma do mosquito da dengue e da febre amarela

Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!

Publicada em 17 de maio de 2007 às 15h00
Atualizada em 17 de maio de 2007 às 16h04

São Paulo - Trabalho contou com participação de brasileiros e pode ajudar a encontrar formas mais eficazes de combater as doenças que ele transmite.

A ciência está um passo mais próxima de encontrar soluções para epidemias de duas doenças que fazem milhões de vítimas todos os anos, principalmente na América do Sul e na África: a dengue e a febre amarela. Um grupo de cooperação internacional, que inclui cinco cientistas brasileiros, fez o seqüenciamento do genoma do mosquito Aedes aegypti, vetor de transmissão dos vírus destas duas doenças.

Com o mapeamento dos genes do mosquito, divulgado na edição da revista Science desta quinta-feira (17/05), será possível compreender os mecanismos moleculares de funcionamento do inseto, encontrando formas mais eficazes de controlar a disseminação das doenças que ele transmite.

“Conhecendo o nível molecular, podemos produzir uma droga com mecanismo similar às que já existem, mas que seja mais específica para as estruturas dos gens encontrados neste mosquito”, explica o professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Sérgio Varejovski-Almeida, que coordenou a equipe de brasileiros envolvidos no projeto.

Segundo o pesquisador, foram descobertos no genoma do Aedes grandes quantidades de gens ligados ao olfato, que influenciam orientação do mosquito no ambiente, o que pode ser usado para interferir no seu ciclo de vida. Outro importante fator mapeado são os tipos de transportadores - proteínas que transportam substâncias para dentro e para fora das células do inseto.

“Muitos deles transportam as drogas que usamos para matá-los. Com o seqüenciamento, podemos ter estudos de funções isoladas dos gens e procurar drogas que não sejam bem transportadas e que, portanto, não possam ser jogadas pra fora das células”, exemplifica o professor.

 O mesmo vale para os canais iônicos, que exercem funções no sistema nervoso. “Podemos procurar drogas que se liguem a esse tipo de canal iônico e não a outros - do homem ou dos outros insetos - e que matem especificamente este mosquito e não outro qualquer”, aponta.

Mas para o cientista, um dos aspectos mais interessantes revelados pelo mapeamento dos gens do Aedes aegypti é o tamanho do genoma do mosquito - composto por 1,3 bilhões de bases e cinco vezes maior que o do Anopheles gambiae, vetor de transmissão da malária. Segundo o pesquisador, isso se deve ao grande volume de elementos de transposição presentes no genoma do mosquito.

“Os elementos de transposição são uma espécie de vírus que se incorporam ao genoma. No caso do Aedes, 48% da seqüência do genoma são elementos de transposição, ou seja, gens não funcionais”, comenta o professor.

Para Varejovski-Almeida, esta constatação abre margem a uma hipótese. “Talvez explique porque o Aedes é vetor de vírus. O mecanismo de defesa do mosquito se adaptou à presença de vírus no genoma, por isso não reage mais a ela. Em outros mosquitos, o vírus seria eliminado pelo sistema de defesa”, observa.

“É preciso entender o que nas defesas dele se perdeu para ele se tornar um carreador de vírus para modificar essa habilidade”, justifica o professor.

Contribuição brasileira

Além de Varejovski-Almeida, a equipe brasileira conta com dois outros pesquisadores do Instituto de Química da USP (Hamza El-Dorry e Suely L. Gomes); Ana L. Nascimento, do Instituto Butantã, em São Paulo; e Carlos F. M. Menck, do Instituto de Ciências Bioquímicas da USP.

O papel do time nacional no projeto foi seqüenciar os gens expressos do Aedes na fase larva - outras equipes cuidaram do estágio ovo e adulto. Para isso, o grupo contou com o apoio do Instituto Pasteur, na França, que cultivou as larvas e enviou o seu RNA para o Brasil para que ele pudesse ser analisado.

“Primeiro fazemos a conversão em cDNA, pois o RNA é instável e se decompõe fora da célula. Depois é feita uma clonagem dentro de vetores colocados em bactérias, que amplificam o material. Cada clone é um trecho de RNA. Então caba base (ATCG) é marcada com cores fluorescentes e ela é lida  no seqüenciador automático de DNA”, explica o professor.

O resultado do trabalho desenvolvido no Brasil, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), será trabalhado agora por uma outra equipe dentro do Instituto de Química, focada em insetos. “Agora eles devem olhar o conjunto de gens do Aedes e comparar com outros insetos, para achar outros aspectos interessantes”, comclui.


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