Dell vai cortar custos, mas quer crescer no Brasil e em países emergentes
Por Ben Ames, para a Computerworld*
Publicada em 30 de abril de 2007 às 17h40
Atualizada em 30 de abril de 2007 às 17h52
Boston - Documento interno cita demissões e aquisições de empresas entre as estratégias que a companhia vai adotar para recuperar a liderança.
Michael Dell considera demissões e a compra de companhias pela Dell Inc., de acordo com um memorando interno que vazou para a imprensa neste final de semana.
Ele pode, inclusive, alterar o atual modelo de vendas diretas que a companhia utiliza desde a sua criação, em 1984, até se tornar a maior fabricante mundial de PCs, em 2006.
Segundo o comunicado que a empresa enviou aos seus 78 mil empregados no dia 25 de abril, "o modelo de vendas diretas tem sido uma revolução, mas não é uma religião".
Como forma de melhorar os resultados da companhia, o executivo já fez mudanças na administração da Dell, retornou à sua posição de CEO no início deste ano e promove a contratação de uma leva nova de gerentes.
A companhia abriu brechas para que a Hewlett-Packard (HP) avançasse nas vendas de PCs nos últimos trimestres e a superasse no primeiro lugar, segundo as pesquisas. A companhia também falhou em atender relatórios exigidos pelo regulador do mercado de capitais americano e agora está sob investigação.
Para estancar a sangria, a empresa terá de reduzir custos e encontrar novas áreas de crescimento para o negócio, segundo o memorando.
"Planejamos eliminar redundâncias em nossa organização global", diz Michael Dell no comunicado. "Também precisamos melhorar a produtividade das vendas. Estes não serão apenas exercícios de corte de custos".
Um porta-voz da Dell confirmou a existência do memorando, mas evitou acrescentar comentários sobre o teor do documento. Analistas elogiaram as decisões da companhia dizendo que essas medidas são exatamente o que a empresa precisa.
Além de fazer o custo do negócio mais competitivo, Michael Dell também descreveu vários passos em um plano de longo prazo para lançar novos produtos em mercados de rápido crescimento e novas regiões.
Países emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China estão nos planos da companhia em um esforço para conquistar "o próximo bilhão de consumidores", segundo o comunicado. A companhia já tem fábrica no Brasil desde 1999.
O texto também fala em planos da Dell de oferecer uma gama de produtos para o mercado corporativo que irá "simplificar a TI radicalmente". "Nossos competidores levam complexidade e custos desnecessários aos nossos clientes", diz Dell. "Queremos interromper esse ciclo. Teremos novos tipos de serviços e tecnologias chave para que as corporações escapem dessa rotina".
Para isso, a empresa poderá fazer aquisições, de acordo com o documento. "Não hesitaremos em usar nossos ativos ou comprar capacidades e tecnologias que precisemos para seguir nossa iniciativa", afirma o CEO da companhia.
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