Estratégia da HP desmonta o conceito de atuação no BRIC
Por Nando Rodrigues, editor assistente da PC World
Publicada em 11 de abril de 2007 às 17h32
São Paulo - Principal executivo da empresa na área de PCs, Suresh Subramania afirma que é preciso levar em conta as perspectivas de cada economia.
“Eu não acredito que se possa pensar em termos como BRIC e achar que entende como estes mercados funcionam. É preciso vir ao Brasil, conhecer suas especificidades, ver como se dá o crescimento de mercado e concluir como ele é diferente, por exemplo, da China”. A frase poderia ser dita por qualquer executivo de empresa nacional tentando explicar porque algumas teorias de globalização não se aplicam ao País. Ela surpreende, contudo, por ter sido dita por Suresh Subramanian, vice-presidente mundial da HP para o segmento de sistemas pessoais.
O termo BRIC, vem sendo utilizado há alguns anos para denominar o conjunto das economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China que apresentariam necessidades e taxas de crescimento parecidas.
Em entrevista a PC World, nesta quarta-feira (11/04), o executivo da HP explicou, porém, que as análises não podem se basear apenas em taxas de crescimento similares e que devem levar em conta as perspectivas de cada economia.
Segundo ele, basta olhar, por exemplo, para o mix de notebooks que cada um destes países demanda para verificar que as necessidades e as taxas de penetração são bem diferentes. “Não se pode esperar que o primeiro computador que um usuário doméstico vá comprar será um portátil”, explica, lembrando que a Índia tem uma demanda muito grande por computação móvel, enquanto nos demais países ainda há muito espaço para os computadores de mesa.
Subramanian diz que existe certa lógica por trás do BRIC. “Porém, se uma empresa está realmente interessada em ter sucesso nessas economias é necessário olhar para cada país separadamente. Por isso, cada vez mais freqüentemente, iremos ver as equipes locais projetando e adequando nossos produtos para esta realidade”.
Renata Mendez Gaspar, diretora do segmento de Sistemas Pessoais da subsidiária no Brasil, lembra que, há uma década a HP era uma empresa muito mais “global”, que definia e implementava estratégias globais que “nem sempre cabiam na realidade dos países”.
A compreensão dessas particularidades – estratégia que vem sendo implementada há cerca de dois anos – tornou a HP mais flexível, avalia a diretora, e deu às subsidiárias autonomia para atender as necessidades locais de cada segmento, seja ele corporativo, mercado médio ou de pequenas empresas e também o doméstico. “Esta decisão é que nos tem permitido crescer mais rapidamente”, diz a executiva.
“A flexibilidade vem da possibilidade de decidir localmente. Não há razão para manter as decisões centralizadas. Mais do que nunca, veremos a aplicação real da expressão ‘pense globalmente; haja localmente’”, completa Subramanian. Para ilustrar, ele cita o cenário latino-americano, no qual o México tem muito mais similaridades com o que acontece nos Estados Unidos do que com os demais países. “O varejo, no México, é uma operação que funciona muito bem. Já o consumidor brasileiro é completamente diferente, mais questionador. Atendê-lo exige estratégias diferenciadas”.
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