Intel falhou em preservar e-mails em processo contra AMD
Por Sumner Lemon e Steven Schwankert, para o IDG Now!
Publicada em 06 de março de 2007 às 09h47
Pequim - Advogado da empresa acusada de práticas monopolistas admite que a ré pode ter falhado em preservar potenciais provas para ação.
A Intel pode ter perdido alguns e-mails internos que a empresa deveria apresentar em um processo que a rival Advanced Micro Devices (AMD) abriu contra a empresa, disseram os advogados da empresa na segunda-feira (05/03).
Em uma carta ao juiz distrital Joseph Farnan Jr., um dos advogados da Intel revela que alguns dos e-mails internos estão faltando, apesar do esforço da empresa em preservar documentos ligados ao caso.
“A Intel está levando esse assunto muito a sério. Ela se arrepende muito que isso tenha acontecido”, escreveu Richard Horowitz, sócio da Potter, Anderson & Corroon, que representa a Intel.
Horowitz atribui a possível perda de e-mails a erro humano. Por exemplo, quando os funcionários da Intel foram instruídos a manter e-mails em seus discos rígidos, alguns deles não removeram as mensagens da caixa de enviados para seus discos, presumindo que o servidor os teria preservado. Porém os e-mails são apagados depois de um certo período.
Outros funcionários presumiram equivocadamente que o departamento de TI estava salvando seus e-mails, enquanto outros não estavam preservando todas as mensagens, disse Horowitz.
Além disso, a Intel falhou em notificar centenas de funcionários sobre a preservação das mensagens, ele admitiu.
Os supostos e-mails perdidos foram gerados principalmente após a AMD ter aberto a ação contra a Intel, em 27 de junho de 2005, mas e-mails anteriores não podem ser descartados da lista dos “perdidos”, segundo Horowitz.
Em um comunicado relacionado ao tribunal, a AMD criticou a aparente falha da Intel em preservar os e-mails. “Por meio do que parece uma combinação de falhas grosseiras de comunicação, um plano mal-concebido de preservação de documentos e supervisão negligente de conselheiros externos, a Intel parece ter permitido que provas fossem destruídas”, disse a AMD, apontando que a Intel continuou a permitir que e-mails fossem deletados dos seus servidores após o início do processo. “Tudo que poderia dar errado realmente deu errado”, disse a AMD.
A AMD e a Intel devem discutir as falhas na preservação de documentos em uma reunião em 7 de março. A AMD exigiu em uma carta ao tribunal que a Intel preste contas sobre a falha na preservação no máximo até 21 de março.
A ação aberta pela AMD em 2005 alega que a Intel promoveu práticas anticompetitivas para conquistar uma posição monopolista no mercado de processadores para PCs. A AMD acusa a rival de ter forçado 38 fabricantes de hardware, incluindo a Dell e a Sony, a usar apenas processadores Intel e descontinuar o uso de produtos AMD.
As práticas passariam por forçar os fornecedores a acordos de exclusividade ou oferecer descontos agressivos e subsídios em troca de que eles não usassem produtos AMD.
O processo, aberto na Corte Distrital de Delaware, nos Estados Unidos, cobre as operações da Intel na América do Norte, Ásia e Europa.
O processo se baseia em parte das investigações de antitruste no Japão, que revelaram em março de 2005 que a Intel abusava da sua posição de liderança para limitar a competição no mercado de chips.
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