Governo tenta evitar sistema operacional Windows no PC popular
Por Camila Fusco, repórter do Computerworld
Publicada em 19 de maio de 2006 às 13h47
Atualizada em 19 de maio de 2006 às 13h49
São Paulo - Fabricantes cogitam equipamentos do programa Computador para Todos com Windows e Linux. Governo avisa que vai combater iniciativa.
Algo que parecia estar definido desde o início do programa de inclusão digital Computador para Todos parece voltar à pauta de discussões de vários órgãos do governo federal: a exclusividade ou não dos sistemas de código aberto.
A retomada dos debates acontece porque alguns fabricantes dos equipamentos do programa consideram a possibilidade da instalação de dois ou mais sistemas operacionais no mesmo computador. a intenção seria implantar o Windows junto com os 26 softwares de código aberto exigidos pelo programa.
“Temos informação de que uma das empresas que fabricam os equipamentos do Computador para Todos fez uma consulta ao departamento jurídico do MCT [Ministério da Ciência e Tecnologia] questionando a possibilidade da implantação do dual boot”, informa Sérgio Rosa, diretor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
Cézar Alvarez, assessor especial da Presidência da República e um dos coordenadores da iniciativa, aponta que tema do dual boot foi debatido exaustivamente ao longo de um ano e meio da elaboração do programa e foi descartado por questões de engenharia e suporte.
O executivo enfatiza ainda que apesar de ser clara a opção por software livre para os equipamentos que podem ser financiados pelo Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal, o grande problema está na redação do decreto que regulamenta o programa.
“Não há veto explícito no corpo do decreto, mas achei que as próprias empresas que, em certo momento acompanhavam o debate do dual boot, tivessem compreendido. Mas talvez tenhamos falhado na redação”, aponta Alvarez. “Já liguei para alguns fabricantes para relembrar que essa foi uma discussão objetiva e já descartada”, conta.
Fontes do governo disseram que a empresa que consultou o MCT foi a Novadata, interessada na implantação do dual boot. Procurada pela reportagem do COMPUTERWORLD, a companhia ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Quebra de equilíbrio
A possibilidade de incorporação do dual boot é vista com grande preocupação pelos órgãos governamentais que defenderam a existência exclusiva do software livre desde o início do programa.
De acordo com Rosa, o grupo formado por representantes do Serpro, mais o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), do Ministério da Ciência e Tecnologia, e da própria presidência da República já está trabalhando para discutir uma forma de debater a questão. “É uma forma parasita de se aproveitar de um programa que estava dando certo”, aponta.
Alvarez ressalta que o grupo poderá “propor uma nova redação porque a vontade expressa ao longo do projeto [em prol do software livre] foi inequívoca” e que o grupo no momento aguarda uma análise mais profunda por parte do MCT. “A eventual interpretação que o dual boot é válido quebra o equilíbrio que o programa trouxe ao mercado sobre o software livre”, complementa.
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