Quais os entraves para uma fábrica de semicondutores no Brasil?
Por Ralphe Manzoni Jr., editor executivo do IDG Now!
Publicada em 27 de março de 2006 às 18h44
Atualizada em 28 de março de 2006 às 20h38
São Paulo - Carga tributária, logística e processo aduaneiro não adequado afugentam investimentos de uma indústria de semicondutores no Brasil.
O Brasil negocia uma fábrica de semicondutores com europeus e japoneses como uma das contrapartidas na escolha do padrão do padrão de TV digital.
Por que, até agora, o governo recebeu apenas promessas de estudos de viabilidade econômica para uma fábrica de semicondutores, item considerado vital para a indústria eletroeletrônica?
A resposta está em um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizado pela consultoria de tecnologia IDC, a AT Kearney e a Azevedo Sette Advogados.
Este estudo, entregue aos executivos do banco no final de 2002, apontava uma série de entraves e de desafios que precisavam ser vencidos pelo governo brasileiro para pleitear a sua aceitação no clube dos países com fábricas de semicondutores.
“É viável ter uma fábrica de semicondutores no Brasil, mas é desafiador”, diz Mauro Peres, diretor de consultoria do IDC Brasil, que participou do estudo. “Temos concorrentes muito fortes, como Taiwan, Coréia e Japão, com políticas de incentivos fiscais agressivas.”
Por políticas fiscais agressivas entenda-se uma série de incentivos ligados a redução de impostos (territorial e comercial), doações de terrenos, além de que alguns países participam do investimento, com aporte de recursos.
O estudo apontava cinco itens considerados críticos para que uma empresa de semicondutores se instalasse no Brasil:
1) Disponibilidade de mão-de-obra especializada: era considerado um dos itens mais importantes, segundo a própria indústria de semicondutores, que foi entrevistada para o estudo. Em notas de 1 a 5 (sendo 5 a mais importante), o Brasil estava no estágio 2, pois o país tem poucos doutores nesta área e a maioria trabalha no exterior.
2) Demanda local elevada: nenhuma fábrica de semicondutores é construída pensando somente na demanda local, mas ela é um fator importante no processo de decisão. A demanda brasileira ainda é muita baixa comparada com os principais competidores, que são Irlanda, Alemanha e os paises asiáticos.
3) Proteção ao capital intelectual e lei de patentes: muito se evolui de 2002 até hoje, mas ainda, na visão do diretor da IDC, este é um ponto crítico, principalmente em projetos de design de semicondutores.
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