AOL encerra oficialmente suas atividades no mercado brasileiro
Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 17 de março de 2006 às 08h00
Atualizada em 17 de março de 2006 às 14h41
Em dezembro, o Terra concordou em pagar entre 760 mil e 1,9 milhão – de acordo com número de adesões – pela promoção junto à base da AOL. O portal, contudo, não teve e nem terá, em nenhum momento, acesso aos dados dos clientes da AOL. “O compromisso é apenas de que eles nos indiquem”, reforça Schnarndorf.
Os assinantes da AOL que não procurarem o Terra para contratar os serviços terão o e-mail descontinuado até o final de março. Demais serviços, como blogs, fotologs e discos virtuais, também serão apagados.
Os clientes que migrarem para o Terra terão como vantagem a possibilidade de manter o e-mail com extensão @aol até o final deste semestre. Após este período, terão que optar por um endereço do Terra.
O provedor tampouco criou promoções especiais para os assinantes que vierem da AOL. “Os preços são os mesmos para qualquer novo assinante”, esclarece Schnarndorf.
Trajetória
A AOL não revela o tamanho da sua base no Brasil, mas fontes ligadas à empresa afirmam que, em meados de 2005, a companhia não possuía mais de 200 mil assinantes – número bastante inferior aos 2 milhões de assinantes do Terra e 1,4 milhão do UOL (números do final de 2005).
A America Online Brasil foi o primeiro serviço da America Online Latin America (AOLA) – joint venture da Time Warner com o Grupo Cisneros (da Venezuela) e com o Banco Itaú – na região, lançado em novembro de 1999.
Chegou ao Brasil prometendo ser o maior provedor de internet do Brasil e da região, mas logo na estréia problemas técnicos com o CD de instalação causaram o primeiro mal-estar com os usuários brasileiros.
Em março de 2005, a AOLA comunicou à Securities and Exchanges Commission (SEC) – órgão norte-americano equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil – que só tinha dinheiro para operar até o terceiro trimestre do ano passado, e que podia fechar ou pedir concordata.
Desde então, a companhia vinha tentando vender suas operações no Brasil, Argentina e México.
Em maio do ano passado, a AOL Brasil, que ainda esperava por um comprador na época, dispensou mais de 80 funcionários e concentrou suas operações em Santo André (SP) para reduzir custos.
Em junho, a AOLA pediu concordata nos Estados Unidos, e em setembro, a companhia demitiu 72 funcionários das subsidiárias do México e da Argentina, processo que gerou despesas de 1,9 milhão de dólares no terceiro trimestre fiscal de 2005.
No pedido de concordata, informava que tinha ativos de 28,5 milhões de dólares e dívidas de 182 milhões de dólares, a maior parte da dívida (161,6 milhões) era com os controladores Time Warner e America Online.
No final do mês de outubro, conseguiu vender sua operação na Argentina por 1 milhão de dólares a uma empresa local de informática, chamada Datco.
Já a operação no México foi vendida à operadora Nextel por 14,1 milhões de dólares, mas só no papel. A Nextel comprou apenas os ativos contábeis, portanto o pessoal que ainda fazia parte da equipe da AOL no México continuou sob responsabilidade da AOL Latin America.
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