A Belíndia digital
Por Ralphe Manzoni Jr., editor-executivo do IDG Now!
Publicada em 16 de março de 2006 às 07h00
Atualizada em 26 de julho de 2006 às 17h57
São Paulo - Levantamento inédito do IDG Now! mostra que os contrastes da vida real são iguais ou piores no mundo digital.
A unidade federativa cuja população tem mais acesso a tecnologias digitais no Brasil é o Distrito Federal, segundo levantamento inédito realizado pelo IDG Now!, com base nos dados mais recentes
sobre a penetração de telefones fixos, de celulares, de computadores em domicílios e de computadores com acesso a internet em residências do país.
O Distrito Federal ficou com 52,74 pontos no ranking realizado pelo IDG Now! (saiba como foi feito o levantamento), à frente do Rio de Janeiro e de São Paulo, segundo e terceiro colocados, respectivamente (clique na imagem ao lado).
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Em último lugar está o Maranhão, com apenas 9,6 pontos, distante mais de 40 pontos do líder. O penúltimo colocado é o Piauí e o antepenúltimo, o Pará.
O levantamento reforça a idéia de que, assim como na economia real, existe uma Belíndia digital, na qual há uma parte rica e desenvolvida, com índices de Primeiro Mundo, e outra pobre e sem acesso aos serviços mais básicos.
Para quem não se lembra, Belíndia é um país imaginário inventado pelo economista Edmar Bacha, em 1974, para se referir aos contrastes brasileiros, que tinha áreas tão avançadas como a Bélgica e, ao mesmo tempo, tão atrasadas como a Índia, há mais de 30 anos.
Entre os dez primeiros Estados no ranking do IDG Now!, quatro são do Sudeste, três do Sul e três do Centro-Oeste. As regiões Norte e Nordeste estão na rabeira do ranking, sendo o Amapá o melhor classificado, em 12º lugar, entre os 27 analisados.
“É uma questão de renda”, avalia Marcelo Coutinho, diretor-executivo do Ibope Inteligência e colunista do IDG Now!. “Os Estados com maior PIB per capita têm mais capacidade de consumo”.
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É verdade. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro per capita por Estado, de 2003 (o mais atual), ilustram isso.
O Distrito Federal, líder do ranking do IDG Now!, é a unidade federativa com maior PIB per capita com 16.920 reais. Rio de Janeiro e São Paulo são o segundo e terceiro lugares, com 12.671 reais e 12.619 reais, respectivamente.
Dos dez primeiros Estados do ranking do IDG Now!, oito deles estão entre os maiores PIB per capita de 2003. Ficam de fora Goiás e Minas Gerais.
A ponta inversa do ranking também mostra a correlação entre renda e acesso à tecnologia. Os dois Estados com menor PIB per capita de 2003, segundo os dados do IBGE, são Maranhão e Piauí, exatamente aqueles que apresentam os piores desempenhos no ranking do IDG Now!.
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