Cartuchos reciclados representam 12% do mercado
Por Daniela Moreira, do IDG Now!
Publicada em 09 de novembro de 2005 às 09h35
Segundo a ABRECI, remanufaturados representarão 12% das vendas de cartuchos no Brasil em 2005, estimada em 120 milhões de unidades.
Encarado com desconfiança por alguns e com entusiasmo por outros, o segmento de remanufatura de cartuchos ganha espaço no mercado brasileiro e conquista cada vez mais adeptos com um argumento difícil de resistir: preço.
Embora as impressoras possam ser encontradas com preços cada vez mais atrativos - com cerca de 200 reais é possível adquirir um modelo jato de tinta -, os cartuchos continuam pesando no bolso do consumidor brasileiro.
Neste cenário, os cartuchos remanufaturados, com preços até 60% menores - a economia pode ser ainda maior se o usuário levar o próprio cartucho para encher -, se apresentam como uma alternativa tentadora.
De acordo com o presidente da ABRECI (Associação Brasileira de Recondicionadores de Cartuchos para Impressoras), Antonio Ferreira Guedes, o mercado brasileiro de suprimentos deve movimentar cerca de 120 milhões de cartuchos em 2005.
Destes, 12% são recondicionados e 15% são compatíveis. Do total de cartuchos originais vendidos no mercado, 40% voltam a ser utilizados, ou seja, são recarregados.
Qualidade
Para garantir o desempenho destes produtos e evitar dores de cabeça para os usuários, a ABRECI criou neste ano um selo de qualidade que atesta a confiabilidade das marcas existentes no mercado.
Os testes são feitos pelo Instituto Mauá e incluem desde a vistoria de equipamentos até testes dos suprimentos, entre outros critérios de avaliação.
Entre as empresas já homologadas para receber o selo estão BlackPrint, Ink&Toner, Suprijet (todas de São Paulo), Kaes Blues (do Rio de Janeiro) e TV Camp (de Minas Gerais). A Multilaser e a FastLaser estão em processo de obtenção do certificado.
Devido ao grande número de amadores que atuam no setor - a estimativa é de que existam 30 mil remanufaturadores no país, dos quais 20 mil são informais.
Por isso, a ABRECI se empenha nesta e em outras ações de profissionalização do setor. Em 2006, a associação pretende lançar um manual com normas de qualidade para reciclar cartuchos.
"Um cartucho não deverá ser recarregado mais que três vezes", exemplifica Guedes.
A partir de fevereiro do próximo ano, a ABRECI também pretende oferecer um curso profissionalizante para os recicladores de cartucho.
Em outra frente, a associação planeja seminários para orientar órgãos do governo a formatar corretamente as licitações para compra de cartucho remanufaturados, que muitas vezes favorecem o preço e perdem em qualidade.
"Muitas vezes uma economia de centavos pode custar mais caro para o usuário", afirma Guedes.
"Se encontrar um fornecedor de sua confiança, não troque apenas por uma diferença pequena de preço", aconselha Alexandre Ostrowiecki, diretor da Multilaser, empresa que produz cartuchos recondicionados.
Como escolher seu cartucho
O executivo dá outras dicas para comprar um cartucho reciclado de qualidade: "É importante observar se o reciclador tem equipamentos adequados para fazer a remanufatura", observa Ostrowiecki.
O mercado oferece uma série de máquinas que possibilitam encher os cartuchos, pesá-los, checar o funcionamento da cabeça de impressão, retirar bolhas de ar e fazer testes e impressão, mas a maioria dos amadores simplesmente enche o cartucho com uma seringa, o que pode prejudicar o rendimento do suprimento.
Preços menores
Outra ação conduzida pela ABRECI para a melhoria do setor é o diálogo com os principais produtores de reciclados para reduzir o preço de compra dos cartuchos que, segundo o presidente da associação, hoje está inflacionado.
"Tem gente pagando 30 reais em cartuchos e 80 reais em toners usados, o que é um absurdo", afirma Guedes.
Na Multilaser, por exemplo, a lista com valores de compra dos cartuchos tem preços que variam de 2 reais a 24 reais, em média. O preço varia conforme a demanda: cartuchos muito antigos ou lançados muito recentemente, escassos no mercado, custam mais caro. Já os modelos abudantes valem menos.
Para Guedes, o preço máximo de compra de um cartucho usado deve ser de 7 reais, valor que a associação vai batalhar para estabelecer.
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