AMD abre processo antitruste contra Intel
Segundo a AMD, a Intel vem mantendo o monopólio no mercado de processadores para computadores por meio da coerção de clientes.
A Advanced Micro Devices (AMD) abriu um processo antitruste contra a Intel sob acusações de que a companhia mantém o monopólio do mercado de chips para computadores por meio da coerção de clientes.
As duas empresas disputam o mercado de processadores para computadores pessoais, com ampla vantagem para a Intel, que fabrica o chip Pentium, com 82,5% de participação mundial.
A AMD, segunda colocada, fabricante do Athlon, concorrente da família Pentium, tem apenas 15,8%, segundo documentos apresentados à Justiça dos Estados Unidos. No Brasil, a empresa chega a ter 44% do mercado (incluindo desktops, notebooks e servidores), segundo o IDC.
O processo, aberto na Corte Distrital de Delaware (EUA), identifica 38 companhias em três continentes que, supostamente, foram coagidas pela Intel. Entre elas estão fabricantes de computadores, pequenos integradores, distribuidores e varejistas.
A ação tem 48 páginas (para ler a íntegra do documento em formato PDF clique aqui) e alega que a Intel utilizou subsídios ilegais para conquistar vendas e, em alguns casos, ameaçou as companhias que pretendiam comprar produtos da AMD com "severas conseqüências".
Como esperado, a Intel está preparada para contestar as alegações da AMD, informou Tom Beerman, porta-voz da Intel.
"Discordamos fortemente da ação da Intel sobre nossas práticas de negócios", declarou o porta-voz. "A Intel acredita em uma competição justa".
De acordo com o porta-voz da Intel, a AMD escolheu, mais uma vez, recorrer a Justiça para reclamar do sucesso da Intel.
A iniciativa coloca a AMD em uma batalha judicial que promete durar muito tempo.
O processo segue investigações recentes do órgão regulador do comércio japonês, a JFTC, sobre as práticas comerciais da Intel.
Em março, a JFTC constatou que a Intel abusou de seu monopólio para eliminar a justa competição no país. O resultado foi a restrição da competição no mercado de chips.
A subsidiária japonesa da Intel concordou em abril a abrir mão de várias práticas consideradas irregulares, embora tenha afirmado discordar do entendimento da JFTC.
A Comissão Européia também conduz investigações sobre as práticas da Intel sobre possíveis violações das regras antitruste e está cooperando com as autoridades japonesas.
Nos Estados Unidos, a Intel também foi investigada, mas por outras acusações. A Federal Trade Commission (FTC) abriu um processo contra a empresa em 1998 sob acusação de utilizar sua dominação de mercado manter segredos comerciais.
Segundo a FTC, a Intel ameaçou esconder informações sobre seus chips futuros de três fabricantes - Digital Equipment Corp, Compaq Computer - hoje parte da Hewlett-Packard - e Intergraph Corp. - a menos que essas companhias concordassem em não processar a Intel por qualquer violação de patente.
A FTC entendeu que tais táticas eram ilegais, uma vez que praticadas por uma empresa do porte da Intel.
A Intel encerrou o caso em março de 1999 e concordou em reavaliar suas práticas, embora tenha negado qualquer prática ilegal.
A AMD também mantém várias listas sobre os supostos abusos da Intel. Um deles declara que forçou grandes consumidores como Dell, Sony, Gateway e Hitachi a fazer negócios exclusivos em troca de pagamentos em dinheiro, preços diferenciados ou subsídios de marketing.
Outra queixa envolve a joint venture Fujitsu Siemens Computers, que utilizou chips da companhia em cerca de 30% de seus computadores. Em 2003, a Intel teria oferecido um "desconto especial" por seus processadores Celeron.
A Fujitsu Siemens aceitou a oferta e, em troca, ocultou todos os computadores com processadores AMD em seu website e removeu as referências aos produtos com tais chips de seus catálogos de varejo, segundo o processo.
A AMD também alega que foi retirada do MediaMarkt, maior varejista de computadores da Europa, que representa 35% das vendas na Alemanha. A Intel fornece cerca de 15 a 20 milhões de dólares anuais como fundo de desenvolvimento. Desde 1997, a rede apenas comercializa computadores com chips Intel.
Mari Hayashi, porta-voz da AMD em Tóquio, declarou que a companhia ainda deve comentar o processo em uma entrevista coletiva nesta terça-feira (28/06).
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