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19 de setembro de 2009
Colunistas

Weblogia

Risoletta Miranda é diretora executiva da FSB PR Digital

Publicada em 15 de junho de 2009 às 19h13
Atualizada em 24 de junho de 2009 às 11h17

Apócrifos e Anônimos

Comunicação nas redes sociais é mais do que ranking de perfis. Por Risoletta Miranda

Quando você lida com imagem e credibilidade corre o risco de encontrar na web um grande portal à maneira do inferno de Dante, descrito na “Divina Comédia”. Ali é possível ler: vós, que aqui entrais, deixais toda a esperança. Isso porque o universo de anônimos e apócrifos pode se transformar em massa com força de opinião. Tem sido um movimento natural (nem por isso saudável) de versões falsas que -  dependendo de alguns fatores pouco controláveis -, se sobrepõem aos fatos verdadeiros na web. Algumas vezes assim ficam para “sempre”. Outras, felizmente, conseguimos perceber a tempo de não validá-las.

Nestes tempos de crescimento explosivo das redes sociais tenho participado de vários projetos que me permitiram chegar perto e vivenciar com intensidade essas situações algo grotescas mas de muito aprendizado.

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Alguns comportamentos, que nosso superego tende a reprimir no mundo dos átomos, aparecem com relativa facilidade no mundo dos bytes. Assim é que temos lunáticos, esquizofrênicos, “blasés”, bobões, irados sexuais, pedófilos, difamadores, enfim, todos estes tipos se apresentando nas esferas cibernéticas. Nem mesmo advertências proféticas dantescas podem dirimi-los da idéia de atuar no ambiente digital desta forma: o anonimato ou o falso perfil são proteções perfeitas para esta gente expor mazelas existenciais sem pensar no inferno. Essas pessoas, diga-se, que tem nos ajudado a entender de que lado estamos.

Lembro agora que, quando você se cadastra no site do Twitter, uma das instruções que eles passam é a seguinte: Filling in your profile information will help people find you on Twitter. For example, you'll be more likely to turn up in a Twitter search if you've added your location or your real name.  Ou seja, é uma indicação sutil à sua veracidade. Situação essa que vai favorecer seu percurso de relacionamento. Postura irretocável.
   
Mas a verdade é que a web também cresceu por isso: por permitir que toda horda de gente se interligue a todos deixando-nos algumas vezes em situações como essa que analiso. Ou seja: como confiar no lado de lá que se apresenta comentando fatos, criando comunidades, incensando marcas, carburando imagens, transformando informações verdadeiras em reles versões boateiras que eles mesmos gostam de manipular?  Pois é... gosto da idéia de saber que estes seres existem. Isto, como já disse antes, me permite existir do outro lado, de maneira transparente, usando minha foto, consciente dos meus fatos e, fundamentalmente, da minha opinião sobre assuntos de qualquer natureza. As minhas idéias sobre o mundo merecem a minha assinatura porque é assim que eu entendo a vida. Não posso julgar quem pensa diferente. Mas posso opinar por aqui ;-)

O espaço cibernético, com sua imensa teia, capilaridade e capacidade de engajamento não pode ser a máscara que esconde a ética. Daí quando se vasculha a rede em busca de uma linha de pensamento, um buzz sobre determinado assunto para se perceber a repercussão de um tema ou a tendência de comportamento que permitirá a nós, profissionais do ramo, sermos “tradutores” disto para nossos clientes, sente-se o impacto dos apócrifos.

Há empresas e marcas ansiosas para entrar na rede e dela fazer também uma plataforma de comunicação com todos nós. Querem entender a natureza da “social media” para a ela se adaptar. E este não é um trabalho que pode ser feito e a seguir retocado. Há de se entender e separar o falso do verdadeiro. Não é fácil. Há uma sutileza de análise que, muitas vezes, não nos permite isso. É nessa circunstância que o  método se torna fundamental. Então, comunicação nas redes sociais é muito mais do que ranking de perfis ou números de comunidades. Há muitos pontos “cirúrgicos” de análise qualitativa.

Por entender a análise de opiniões a partir das redes de relacionamento digital como um movimento maravilhoso é que me preocupo com este viés que pode distorcê-la. Certamente este é um tema para a sociologia e a psicologia abordarem nas suas teorias. Não me atrevo a tentar ser dona deste espaço. Mas, até pelos ossos do ofício, desenvolvidos com minha formação jornalística, me proponho a cutucar o tema, trazê-lo para o debate, revelar sua face e expô-lo para que outros profissionais curiosos e comprometidos se apossem disso também.

Estamos construindo esse mundo novo digital de maneira valorosa e valiosa, a peso de nosso trabalho e, muitas vezes, do investimento de nossos clientes crédulos da função e a oportunidade benéfica de comunicação através da web. Não há como “trair” esta confiança e esta credulidade. É preciso entregar a eles a melhor análise possível e oferecer opções confiáveis. Até porque isto será respeitar os que assinam seus nomes, colocam suas fotos verdadeiras e, assim fazendo, trazem para o mundo digital a sua ética e sua verdade. Ajudam, dessa forma, nossas pesquisas, dando-lhes a confiabilidade tão necessária.

Fica aí a provocação para refletirmos juntos sobre o tema.

Risoletta Miranda
é diretora executiva da FSB PR Digital (www.fsb.com.br), formada em jornalismo, MBA Marketing COPPEAD/UFRJ, especializada em Planejamento Estratégico de Marketing e Comunicação Digital e uma das criadoras do Conceito de Virtual Relationship Management. E-mail: rizzo@fsb.com.br . Twitter: www.twitter.com/rizzomiranda
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