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19 de setembro de 2009
Colunistas

Sociedade Digital

Marcelo Coutinho é consultor e professor de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas.

Publicada em 01 de fevereiro de 2008 às 11h23
Atualizada em 01 de fevereiro de 2008 às 13h11

Terra de Gigantes

Marcelo Coutinho discute possíveis consequências da oferta da Microsoft pelo Yahoo.

A oferta da Microsoft pelo Yahoo, se bem-sucedida (segundo as primeiras informações trata-se, até o momento, daquilo que chamamos de “take-over” hostil), acentua uma tendência, aparentemente contraditória, da economia global: o “efeito ampulheta”.

Trata-se de um mercado no qual a estrutura da oferta para diversos produtos e serviços se parece cada vez mais com este instrumento para marcar a passagem do tempo: tem muita “areia” em cima e embaixo, mas a vida para quem está “no meio” fica cada vez mais complicada.

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O Yahoo, um dos primeiros ícones da Internet, não conseguiu atingir nem a capacidade de inovação do Google, nem as economias de escala resultantes da integração de serviços e plataformas da Microsoft, nem a capacidade de geração de conteúdo dos grandes grupos de mídia (capacidade essa, por sua vez, fragilizada pela explosão das redes sociais).

Não é possível calcular ainda a audiência combinada destes dois sites, mas os números da Internet nos Estados Unidos, segundo a Nielsen//NetRatings, mostram que a briga pela audiência ficaria restrita a um grupo de três gigantes “midiáticos”: Microsoft/Yahoo, Google e TimeWarner (em quarto lugar, mas longe de poder ser subestimada, estaria a News Corp., de Ropert Murdoch). Vejam que interessante: entre os dois gigantes da tecnologia, e os dois gigantes de conteúdo, no “meio da ampulheta”, estava justamente o Yahoo.
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“Se” (por favor, notem as aspas) a Microsoft for bem-sucedida no take-over do ponto de vista financeiro, restam inúmeras questões legais e de cultura organizacional para serem resolvidas. Aquisições, principalmente entre grandes estruturas globais, são operações notoriamente longas, complexas e nem sempre produzem os resultados esperados. Mas, “se” for relativamente bem-sucedida, pode ser mais um marco na história da Web, assim como foi a fusão (relativamente mal-sucedida, por sinal) da AOL com a Time Warner em 2000.

No médio prazo, estas empresas devem se tornar o elemento central da indústria da comunicação global. Ao redor delas vai girar uma enorme constelação de grupos midiáticos locais, agências de propaganda, produtores de conteúdo, assim como interesses políticos e sociais de todos os tipos.

Neste processo, muitas estruturas (públicas e privadas) irão ser deslocadas na cadeia de negócios, mas não sem reagir. Basta citarmos duas palavras: privacidade e monopólio. A este respeito, uma excelente matéria na Atlantic Monthly de dezembro do ano passado, analisava os novos desafios do Google diante do seu sucesso descomunal, e alertava para complicações em um arena na qual, até o momento, a empresa não está acostumada a competir: a da regulação. Terreno no qual, todos sabemos, a Microsoft possui vasta experiência.

Vai ser um bom combate. Como diz uma antiga praga chinesa, “que você viva tempos interessantes”. Serão, sem dúvida.

Marcelo Coutinho é diretor-executivo do IBOPE Inteligência e professor de Pós-Graduação em Comunicação na Fundação Cásper Líbero. Foi diretor de Análise para América Latina do IBOPE//NetRatings, pesquisador visitante no Grupo de Tecnologia da Informação da Universidade Harvard e gerente de marketing da Agencia Estado.  Na coluna Sociedade Digital aborda o impacto das redes de comunicação e informação sobre a economia e a sociedade brasileira. Email: marcelo.coutinho@post.harvard.edu .

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