
Sociedade Digital
Marcelo Coutinho é consultor e professor de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas.
Publicada em 26 de maio de 2006 às 12h44
Atualizada em 26 de maio de 2006 às 17h07
You, tube?
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O Brasil é o país aonde o YouTube alcança a segunda melhor marca em termos do percentual de acesso em relação ao total de Internautas residenciais (9%), atrás somente da Espanha (17%)
O fenômeno não tem passado desapercebido entre as corporações mais “antenadas” com seu público. Em Miami, na semana passada, durante evento sobre o mercado Latino-Americano de Mídia Online, a Visa expôs um exemplo interessante (e brasileiro) sobre como as empresas podem usar as comunidades para “afinar” seu discurso sobre as marcas: a campanha “porque a vida é agora”.
Segundo a vice-presidente de comunicação da Visa, “não existe nada melhor que a força das comunidades para gerar envolvimento do cliente com a marca”.
Mas ao mesmo tempo que as comunidades são usadas para alimentar o “envolvimento” com as marcas, elas também podem gerar muita dor de cabeça para os anunciantes e suas agências.
Há 10 anos, se alguém tivesse uma má experiência com uma marca, tudo o que podia fazer era ir ao Procon ou, com sorte, obter algum espaço na coluna de reclamações de um jornal. Agora, somente com uma placa de captura de vídeo, uma webcam e alguns sharewares e é possível não somente relatar essa experiência, como também fazer uma sátira ou crítica sobre a comunicação da marca ou empresa, disponível para milhares de outros consumidores.
Durante os últimos 50 anos, as organizações ditavam o “discurso” sobre suas marcas e os consumidores apenas podiam decidir se ouviam ou não. Agora, eles estão falando de volta. O “discurso” deixou de ser um privilégio do anunciante. Ainda é um movimento tímido, mas seu impacto sobre o modelo de negócios do marketing e da propaganda será explosivo.
Mais interessante ainda é imaginar o que vai acontecer na esfera do poder político. Mas este é um tema para a próxima coluna.
Marcelo Coutinho é diretor-executivo do IBOPE Inteligência e professor de Pós-Graduação em Comunicação na Fundação Cásper Líbero. Foi diretor de Análise para América Latina do IBOPE//NetRatings, pesquisador visitante no Grupo de Tecnologia da Informação da Universidade Harvard e gerente de marketing da Agencia Estado. Na coluna Sociedade Digital aborda o impacto das redes de comunicação e informação sobre a economia e a sociedade brasileira. Email: marcelo.coutinho@post.harvard.edu.
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