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21 de setembro de 2009
Colunistas

Panorâmica.com

Claudio Ferreira é jornalista de tecnologia e cultura

Publicada em 31 de março de 2008 às 19h40

Internet engarrafada

Aumento do tráfego de imagens pode congestionar a rede? Por Cláudio Ferreira

Analistas apontam que a grande rede pode sofrer um congestionamento causado pelo conteúdo baseado em imagens pesadas e o grande aumento no número de internautas
 
Deu no New York Times: "Atenção: Tráfego pesado de Internet à frente. Atrasos possíveis". E, apesar do tom alarmista da reportagem, a possibilidade de engarrafamento é real, pelo menos é o que relatórios, analistas e pesquisadores indicam. Os motivos são ligados ao acesso em massa a vídeos, como os do YouTube, downloads de músicas e filmes, jogos em rede...mas também ao aumento progressivo de internautas, especialmente na China e em outros países emergentes como o Brasil que jogam milhões a cada ano neste "mercado".
 
Se fala até mesmo em um data específica para o "crack da rede": 2011, como em recente pesquisa da Nemertes Research. Ano que vai marcar uma demanda de usuários maior que a capacidade da rede. Seria o "Fim da Internet?" como se auto-intitulou uma conferência provocativa sobre o tema em um evento de tecnologia nos Estados Unidos? Sim e não.
 
Primeiro: vamos falar sobre o que é acessado. É cada vez mais comum ver trailers de filmes ou vídeos na rede, e as imagens em movimento consomem altas fatias das conexões e bandas. O fenômeno recente do YouTube e de seus similares ou mesmo do, agora decadente, Second Life com sua miríade de imagens pesadas traz uma nova e crescente carga de acesso.
 
Segundo: a economia dos países emergentes como China, Índia, Rússia, Brasil e que tais joga milhões de novos internautas no mercado. A estrutura local pode até ganhar investimentos para suportar esse acréscimo, mas como uma empresa como o Google, hipoteticamente, pode suportar que 2 milhões de chineses vejam ao mesmo tempo o último vídeo sobre o conflito no Tibete?
 
Sim, como acontece na economia do Brasil, o gargalo da infra-estrutura é a chave do problema. São necessários mais investimentos nas redes para que não tenhamos o problema de forma real. Mesmo que em 2011 a Internet não pare de vez, como o seu carro em véspera de feriado nas estradas para o litoral, o cenário de lentidão é mais do que provável. Afinal, o tráfego global da rede cresce – existem discrepâncias nas avaliações – no ritmo atual entre 50% e 100% ao ano.
 
Ferrari ou fusca?

Neste cenário, o internauta poderá ter incríveis e reais 2 megas de acesso em casa, algo que será ótimo para acessar o seu mail com grande rapidez, mas insuficiente para acessar qualquer "hit" da grande rede como o MySpace. Será algo como ter uma Ferrari na garagem que só anda 20 km por hora. O resultado pode ser catastrófico, o usuário pode não querer pagar pela Ferrari e optar por uma conexão do tipo Fusca 1975, o que levará a todos a um retrocesso no consumo e fruição da grande rede. Sem falar no mercado corporativo e os negócios que dependem da web.
 
É certo que as tecnologias e o investimento na infra-estrutura não estão paralisados em todo o mundo. Os servidores se tornam mais potentes e baratos, as novas formas de transmissão de dados evoluem e se tornam mais comuns e a concorrência, seja de infra-estrutura ou mesmo entre os provedores, não cessou. O problema é que não se consegue acompanhar o crescimento do tráfego, seja ele de 50% ou maior. E isso vale tanto para as "super-rodovias" de acesso quanto as "estradas vicinais" – a capacidade da rede de um provedor no seu bairro ou mesmo na rua da sua casa.

Pior, com a crise econômica que se avizinha na "Terra do Tio Sam", quais seriam os efeitos de diminuição de investimento por lá que poderiam afetar ainda mais as bases da infra-estrutura da Internet? Será que o engarrafamento da web pode amplificar o momento econômico ruim dos Estados Unidos?
 
O mercado tem três anos para responder estes questionamentos e abrir novas "estradas" para conseguir garantir que a roda da Internet e seus benefícios para o usuário comum e as empresas continuem. E, pena, agora não temos mais uma cabeça brilhante e visionária como a do poeta do sci-fi Arthur C. Clarke para nos ajudar. Com certeza, nesse momento, ele estará bem melhor que nós batendo um papo com o Kubrick em outra dimensão, e sem precisar usar a Internet.

Claudio Ferreira é jornalista e escreve sobre tecnologia há 10 anos e sobre cultura desde sempre. E-mail: cferreira2006@gmail.com

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