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21 de agosto de 2008
Colunistas
Panorâmica.com
Claudio Ferreira é jornalista de tecnologia e cultura
Publicada em 09 de março de 2007 às 16h46

A conexão K

Cláudio Ferreira conta história kafkiana sobre os absurdos no suporte dos serviços de Internet.

Temos uma promoção, o senhor continua pagando o mesmo valor do serviço, sem mudar o seu modem, e terá a velocidade de conexão dobrada. O senhor autoriza?

Entusiasmado com a premissa mesmo-valor-mais-velocidade, autorizei o upgrade. Recebi de pronto o "obrigado, Senhor K!" da atendente, que não especificou quando o milagre se daria. Mal sabia que desta forma eu autorizava a colocação de uma camisa-de-força que me obrigava a ficar preso ao mesmo provedor de Internet por mais um ano.

Trabalho em casa e, portanto, faço uso contínuo da web, invariavelmente, das 10 às 2 horas da manhã. Muito do meu trabalho depende de me comunicar por meio da rede. Sou o que se pode chamar de 'dependente crônico da Internet'.

Dias depois da ligação da "fada do provedor", era uma quinta-feira no final da tarde, fiquei sem conexão. Os botões do ADSL e o que indica que existe tráfego circulando nem piscavam. Já sabedor de como resolver alguns problemas básicos, eu desliguei o modem, o computador, e os religuei dois minutos depois. Porém, ele não voltou à vida.

Passada meia-hora, o que era uma leve preocupação se transformou em agonia. Liguei para o call center do provedor do serviço e, depois de transitar pelas teclas do telefone para responder as entradas do serviço – "clique 2 para o serviço tal", "agora o seu DDD", "coloque o número do seu telefone", etc etc –, cheguei a um atendente.

- Olá, Senhor K, no que posso ajudar?! – disse a voz do outro lado. Depois que eu expliquei que estava sem conexão, ele respondeu como um lorde inglês:

- Não vejo nenhum problema aqui. O senhor pode desligar e ligar o seu computador?

- Posso sim, mas eu já fiz isso – respondi com paciência.

Nada feito. Desencanei por algum tempo e quando o relógio chegou às 23 horas, voltei ao computador. Liguei novamente. Educadíssimo, como é a tônica do tal serviço, o atendente me informou que: "a área do senhor está em manutenção".

- Certo, mas quando isto deve acabar?

- A previsão é de restabelecimento do sinal em algumas horas.

Minha reação imediata foi a de me preparar para dormir e recuperar o tempo perdido pela manhã.

Acordei cedo e, ainda sem a lente de contato, portanto quase cego, liguei o computador e tentei conectar. Nada. Como tinha que enviar arquivos, liguei para o famigerado call center e fui informado de que o serviço ainda estava em manutenção e que só voltaria às 15 horas.

A única saída para o meu problema era a casa de minha ex-esposa, que para minha sorte tem outro serviço de banda larga. Ao chegar, meu filho foi devidamente desalojado da cadeira do computador não sem antes manifestar toda a sua indignação infantil: "seu chato!". Não dei bola, estava sem tempo de retrucar ou reafirmar a autoridade paterna.

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