28 de Novembro de 2008

Santa Catarina e Mumbai: o Twitter na linha de frente jornalística

Duas tragédias causadas por dois motivos diametralmente opostos - o ódio na Índia, fatores meteorológicos em Santa Catarina -, um mesmo meio de informar e pedir ajuda ao mundo.

No Brasil, a mobilização pelas 100 vítimas em diferentes regiões de Santa Catarina começou com relatos no Twitter na tarde do sábado (22/11) de moradores na região de Blumenau atingidos pelo forte volume de chuvas.

SC_escombro
arrecadação
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Enquanto a mídia local se organizava na cobertura, o Twitter demonstrava os principais problemas enfrentados pelos moradores pelo excesso de água acumulado em avenidas da cidade.

Não demorou muito até que viessem os relatos mais contundentes, sejam em vídeos publicados no YouTube de barrancos desabando (maior causa de mortes, diz a Defesa Civil do Estado) seja em fotos publicadas no Flickr das ruas completamente tomadas pela lama (as que ilustram esse post, por exemplo).

Blogs, sejam criados apenas para cobrir a tragédia, como o ótimo AllesBlau ("tudo bem azul", em alemão), focado em publicar histórias de residentes e agregar conteúdos amadores encontrados por serviços colaborativos, ou tradicionais, entraram na roda com o principal propósito de espalhar informações sobre a situação da região como forma de sensibilização da opinião pública.

Seja pela motivação (aparentemente terrorista), pelo número de vítimas, pela duração dos seqüestros e tiroteios ou pela relevância global, a tragédia indiana monopolizou as atenções em ferramentas sociais desde a quarta-feira (26/11), dia em que os incidentes começaram.

Como nota o TechCrunch, assim como em Santa Catarina, os relatos no Twitter ultrapassaram a necessidade de organização de uma rede formal de notícia para reportar o incidente, com atualizações freqüentes e direto dos incidentes.
mumbai_sangue
mumbai_noite
mumbai_hotel

A montanha de conteúdos amadores (Flickr e YouTube, principalmente) foi também empacotada por serviços como o Ground Report ou o NowPublic, que montaram, dentro de uma mesma página e com um mínimo de organização, uma cobertura usando relatos, textos, fotos ou vídeos de quem viveu os atentados em Mumbai.

No meio da desorganização de milhares de usuários gritando e de veículos tradicionais nem sempre com braços suficientes para cobrir ao vivo os atentados, a página dos eventos na Wikipedia funcionou como uma filtragem mais sóbria e objetiva do acontecimento, indicando as regiões atacadas, os estabelecimentos envolvidos e o número e nacionalidade dos mortos.

Expressão tão em voga desde a explosão tanto na presença de lentes nas mãos de cidadãos normais como no acesso à banda larga, o "jornalismo cidadão" é definido como a produção de conteúdo jornalisticamente relevante por aqueles sem treinamento profissional ou experiência para tal.

Os casos Santa Catarina e Mumbai, ainda que de maneira amarga, fecham um ano que comprovou como as ferramentas de integração (e o Twitter ocupa um lugar de destaque) funcionam como canais diretos de informação com conteúdo produzido por quem vive a situação noticiada, não apenas pelo repórter que não chegou a tempo de sentir o calor da ação.

Publicado por Guilherme Felitti, às 18h25

2 Comentários

Agradecimento

Olá, tbem sou autor do Alles Blau e fico muito grato com o destaque para nosso blog.

Abraços
Denis Budag

Denis
29-11-2008 23:42

AllesBlau

Olá, sou a autora do AllesBlau e só estou passando aqui para agradecer o post. Muitas pessoas comentaram ter visto o nome do Alles aqui.

juliana
29-11-2008 20:34