A segunda edição da Campus Party, feira tecnológica nascida na Espanha e que deverá tomar a América Latina em 2009, em terras brasileiras terminou com algumas mudanças profundas em relação a 2008.
A primeira, já discutida por aqui, é a presença mais frequente de usuários que fogem ao estilo hardcore ou entusiasta - após o relativo sucesso de 2008, um perfil médio de usuário de tecnologia resolveu se aventurar na
Outra mudança entre os campuseiros observada por Rogério de Paula, antropólogo da Intel, é que muitos já vieram à Campus Party 2009 combinados com seus amigos, quando a edição anterior foi marcada principalmente pelo encontro de pessoas.
Estas características sociais, defende ele, têm impacto na maneira como a socialização pelos diferentes grupos se dava nos primeiros dias de Campus Party (o papo com Rogério foi feito no meio da semana, antes do final da feira), algo que justificaria a falta de interação entre as diferentes áreas além do argumento padrão de falta de interesses semelhantes.
A organização falhou em alguns momentos. As filas de até 6 horas registradas na entrada da feira em 2008 foram transformadas em outras filas menos que tomaram a área de cadastramento da Campus Party na tarde da segunda e durante toda terça. O almoço também viu longuíssimas filas durante toda a semana.

A tira acima, do personagem Nerdson, se provou exageradamente real durante a Campus Party 2009 pela total falta de revista feita pelos seguranças nos campuseiros.
Em três dias, a reportagem do IDG Now! acompanhou a entrada dos presentes por 15 minutos. Nas três ocasiões, campuseiros com mochilas carregadas entravam sem qualquer tipo de revista, contradizendo a organização do evento.
Sem revista, entrar com álcool era fácil. Demais. A ponto de um campuseiro ter leiloado uma lata de cerveja no meio da arena de PCs, além de outros fatos envolvendo a presença de destilados, como whiskie e vodka, na área de barracas.
O álcool teve relação direta com dois incidentes do evento: a briga entre dois amigos no camping e a invasão de um grupo de 30 pessoas bêbadas às 6h da manhã da mesma madrugada. Ambas resultaram em expulsões, muito embora a organização diz ter conhecimento apenas da primeira.
A terceira confusão, após o show da banda Leme e amplamente divulgada, é decorrente muito mais da intolerância burra de um campuseiro (o do boné com o caranguejo que você vê neste vídeo) e do moralismo inexplicável de campuseiros adultos que se chocaram por ouvir a palavra "cu".
A revista falha também vitimou campuseiros na saída. Um deles procurava jornalistas no curral da imprensa para contar a história de que seu Eee PC havia sido roubado da bancada do Campus Blog junto a celulares de dois amigos quando os 3 se levantaram para almoçar.
A acusação, já feita por outros campuseiros em 2008, tomou corpo neste ano após uma demonstração, na prática, que o blogueiro Jonny Ken fez da facilidade de se sair com um laptop que não é seu do Centro de Exposições Imigrantes.
Houve relatos também de chuveiros gelados em uma semana que, surpreendentemente, teve uma queda dos 30 graus esperados para os menos de 18 graus registrados na madrugada do pavilhão.
O frio sentido pelos campuseiros não é culpa da organização, mas as duchas geladas no meio da madrugada são. Assim como a acústica terrível do pavilhão, piorada pela disposição de palestras muito próximas umas às outras - o que era incômodo em 2008 se tornou atordoante em 2009.
Há também, boas considerações. Os conteúdos das palestras foram consideravelmente melhores que às do ano passado, talvez pela maior experiência do grupo responsável pela organização, e são os principais objetos de elogios à Campus Party Brasil 2009.
Pessoalmente, me surpreendi com a agenda do Campus Blog, que conseguiu fugir às velhas discussões sobre monetização e corporações e introduziu assuntos bem mais relevantes, como a blogosfera policial, sexo nos blogs e até o papo com Ricardo Noblat.
A praça de alimentação continuou com suas refeições caras e nada nutritivas, mas a inclusão de uma banca de sucos foi uma belíssima surpresa aos acostumados apenas com refrigerantes e cafés mal passados.
Houve um sempre bem-vindo aumento na presença feminina na Campus Party Brasil 2009, com meninas surpreendentemente longe da definição física de geeks circulando livremente pelo pavilhão, uma boa notícia para os meninos que não tem relação nenhuma com a organização.
O problema de bancadas vazias registrado em 2008 deu lugar a espaços sempre muito bem ocupados e o cancelamento de 70% das atividades do espaço de Astronomia (onde a bancadas em 2008 estavam, praticamente, vazias) teria sido ótimo, não fosse feito DURANTE o evento.
No geral, a Campus Party Brasil 2009 mostrou evoluções em relação à edição anterior no quesito conteúdo, mas ainda deixa bastante a desejar no quesito conforto (leia-se barulho e alguns chuveiros gelados) e segurança.
Para muitos, esses deverão ser motivos para repensar a possibilidade de aparecer na Campus Party Brasil 2010. Para outros tantos, fascinados pela conexão de 10 Gbps, pelos jogos em redes, pelo P2P interno com 15 TB de conteúdo e pela facilidade de se fazer amizades, não.
Um acampamento do século 20. Não é assim que a Campus Party se vende em algumas divulgações do evento? Os realmente jovens e entusiastas não devem se preocupar com chuveiros queimados e a maçaroca sonora. Eles são o real público alvo de um acampamento, seja ele com vacas em fazendas ou PCs num pavilhão.
1 Comentários
Gente esquisita......gente? Onde?
Pois é....tem quem goste!
Marcos A. Silva
28-01-2009 12:59